quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Trailer

video

Trailer promocional de "SONHO DE UMA NOITE DE VERÃO", de William Shakespeare (versão Hélia Correia), pela Contigo Teatro.

Concepção: Luis Miguel Rosa

O "Sonho..." sobe hoje ao Palco!


E finalmente chegou o dia para que toda a Companhia tem vindo a se preparar nestes últimos meses. Agora é a doer e já nada mais há a fazer que dar o melhor espectáculo do mundo. O grupo está a postos. Vamos arrasar. Não perca. Venha ver-nos no Teatro Municipal Baltazar Dias.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Ganhe Bilhetes

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Ganhe bilhetes para o espectáculo, através do Jornal da Madeira. Concorra e vá assistir à peça, de quinta a domingo. Não perca.

A estreia aproxima-se...

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Notícia: Jornal da Madeira
Autoria: Paula Abreu
Data: 19.02.2008

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

A caracterização em teatro

A arte da caracterização e da maquilhagem é um elemento fundamental em qualquer produção de teatro, cinema, Tv. e publicidade. Além de actuar como recurso de beleza, as técnicas de maquilhagem são responsáveis pela transformação estética dos actores, cantores e modelos.

Quando convidados para fazer a maquilhagem de uma peça de teatro, o primeiro passo são, recolher a informação do encenador a respeito do texto, características físicas e traços típicos dos personagens. Devemos assistir ao ensaio corrido da peça e após esta etapa, chegar a conclusões com o encenador, que orienta sobre a linha que será dada ao estilo de caracterização. A partir de então, temos as primeiras impressões sobre os toques, pincéis e cores que se irá utilizar para "vestir"os personagens.

Temos de procurar identificar o personagem e suas referências designadas pelo encenador. Após os estudos é importante um primeiro ensaio, onde o caracterizador já terá uma ideia de como será o personagem. Neste momento visualizamos os figurinos para sentirmos que estará de acordo com a maquilhagem. O actor coloca também a sua emoção, no entanto sem interferir, Ele espera pelo resultado e a partir daí, trabalhamos juntos.

Temos de destacar a importância do trabalho em equipa: o actor deve sentir-se confortável e em total sintonia com a caracterização, precisamos da emoção dele para finalizar a maquilhagem.

Não adianta fazer uma caracterização se não tivermos os figurinos do guarda-roupa, e só assim partirmos para a definição da maquilhagem, aprovado pelo encenador. Mesmo assim só no ensaio, com a utilização das luzes e cenário, é que se verifica o efeito da caracterização e o conforto do actor, que só depois de tudo isto está pronto para contracenar. O actor vestido com o guarda-roupa e maquilhado sente o poder do personagem e está pronto para o palco.

A distância entre a plateia e o palco geralmente prejudica a visão de nossas expressões faciais. Numa representação, a expressão é importantíssima, como forma de "passar" os sentimentos ao espectador. A maquilhagem de palco existe para isso e também para outros casos, quando pode chegar até a fazer parte do figurino (vestimentas). É importante, além de aprender, utilizar material de qualidade.

A intenção da maquilhagem de palco é abrir os olhos e realçar a expressão. Por isso, para cada tipo de olho (puxado, amendoado, redondo, caído) existe uma maquilhagem diferente.

Ainda assim, o caracterizador deve seguir o desenrolar do trabalho, após a estreia, devemos acompanhar e supervisionar a maquilhagem. É preciso ver se está sendo feito pelos actores, principalmente quando a caracterização é muito técnica. Por exemplo, no Traquinas, haverá necessidade de se ter um caracterizador a acompanhar os espectáculos.

São Gonçalves

São Gonçalves explica...

Linguagem do Vestuário Teatral

“O hábito fala pelo monge, o vestuário é comunicação, além de cobrir o corpo da nudez, ele tem outras finalidades”. ECO, 1989:71.
Umberto Eco

Um guarda-roupa não é apenas um conjunto de peças de vestuário. Ele possui significados, variantes e funções simples ou complexas do personagem, comunicações essas que são passadas ao espectador, salientando e reforçando a representação artística numa forma de mostrar e exibir mensagens.

O vestuário é uma máscara social, pode esconder ou salientar o corpo, descreve a personalidade e estilo do actor. A roupa faz transparecer sentimentos, vida, estética, movimento, posição social, épocas e lugares através das suas formas, cores e texturas.

Para a semiótica que estuda as linguagens verbais e não-verbais, tudo o que produz o fenómeno de significação e de sentidos, estabelece uma comunicação entre os homens, sendo assim não precisamos usar a voz para se passar uma mensagem pois a linguagem também está contida nas expressões corporais, e a roupa pode ser colocada como linguagem visual.

No teatro há a necessidade da emissão de uma mensagem para se estabelecer a comunicação. Para que haja uma boa relação dos elementos da comunicação, deve existir uma boa codificação de signos e sinais. Se o espectador não reconhecer os sinais, então não entenderá a mensagem. Por estes e outros motivos é necessário um domínio na criação e transmissão destes sinais e assim embuti-los nas roupas e acessórios fazendo com que o espectador as entenda.

A mensagem que os figurinos têm que passar é importante. A roupa não serve apenas para ‘embelezar’ o personagem. Ela possui símbolos, códigos, status, comportamento, sentimentos, identificação de grupos e posições ideológicas. O vestuário de um guarda-roupa de uma peça possui identidade temporal, mas os trajes individuais possuem inúmeras variações, desde a cor dos tecidos, escolha da camisa, forma dos sapatos, comprimento das saias, etc. Quando se estabelece que um vestuário serve especificamente para determinada situação, determinado lugar, seja como uma protecção ou como uma função específica, temos uma identificação imediata da situação. Muitas vezes a escolha do vestuário muda de significado segundo o contexto em que se insere por exemplo, usar pijama para dormir tem um significado, mas sair na rua com ela tem outro bem diferente. E todas estas significações auxiliam na personificação de um personagem.

No teatro o traje possui um alto grau de intensidade simbólica. Tem de funcionar, tem responsabilidade sobre o autor, o actor, o público e sobre o todo do espectáculo.

Não somente roupas, mas objectos de carácter pessoal, como a túnica (figuras mitológicas), fita métrica (alfaiate), coroa de flores (Fadas), relógio de bolso com corrente (Corte) ou o manto (rei), fazem parte deste simbolismo. Todos estes significados simbólicos ajudam a caracterizar as diferenças do vestuário dos personagens, acentuando os objectivos e linguagens que se quer passar de um todo que é a situação da peça, ‘Sonho de uma noite de Verão’ pontos estes que foram muito fortes nas variações através dos séculos de quem já trabalhou Shakespeare.

Não importa o quão grande seja o espectáculo representado, se possui muitos figurinos, actores e grandes cenários, se é uma produção feita com muitos recursos financeiros. O importante é saber trabalhar com as linguagens, com os tecidos, cores, texturas, saber identificar as necessidades da cena, saber criar um mundo de fantasia para encantar o público e conseguir uma harmonia visual com todos os elementos cénicos.

A linguagem do vestuário teatral deve ser reforçada de acordo com a necessidade e a intenção, realizada com atenção, estudo e investigação e assim, ela consegue ter a capacidade de falar por si só, ela reforça a dramaticidade da cena, aumenta o drama pelo qual o actor está a passar, aumenta o impacto visual ajudado pela luz, e causa o espanto, a alegria e a emoção no nosso público.

Em teatro tudo é linguagem: as palavras, os gestos, o guarda-roupa, os objectos, a própria acção, porque tudo serve para exprimir, para significar. Enfim, tudo é comunicação.

São Gonçalves
Criação de guarda-roupa

Mário Andre "em directo"

Como explicitar o processo de construção de uma música quando, para nós, esse processo está envolto em mistério?

O que determina a escolha de uma nota, uma harmonia, uma acentuação rítmica?

Cá por mim, vou ao depósito das memórias e pesco de lá umas coisas que fui coleccionando em experiências vividas a ouvir um Aimable a tocar acordeão, uma Brenda Lee a cantar I’m Sorry, o Teixeirinha numa telefonia de fundo, aos Domingos, a esparramar o som pelas bananeiras do meu avô lá pelo Ribeiro Seco, uns Beatles eufóricos, um piano, o do Óscar Peterson (que nos deixou neste último dia de Festa, como por cá se diz), um vilão a despicar em Ponta Delgada percutindo com o polegar um "Braguinha", a minha mãe na lida da casa a sussurrar um fado da Amália (Quatro paredes caiadas/E um cheirinho a alecrim…) o Zeca Afonso a aguçar umas notas contra a ditadura, o Ricardo Cunha da Comuna Singular, o Montes o Chico e o Rui Alves, no Jardim do Sol, o Borges o Humberto Fournier o Gualberto o Juvenal e o Luís Nunes pela parte do Jazz, o Habitat, o Xarabanda, o Banda d´Além e os Feiticeiros do Norte… o meu filho Miguel a executar uma peça aprendida no convívio da tuna lá da Terceira, o meu Paulo a "pizzicatar" o seu contrabaixo, os meus alunos lá pelo Núcleo de Música da Francisco Franco, e o convívio com a generosidade do corpo de actores da Contigo Teatro, que lá pelo palco do Imaculado, vão dando corpo à encantatória versão portuguesa da escritora Hélia Correia… de tudo isto e de tantas outras coisas é feita a música para esta peça.

De todo este tuti-frutti, sai um cozinhado, umas vezes em lume brando, outras vezes sobre a labareda, que se atira da ponta dos dedos… porque a mente comanda, mas o corpo tem impulsos que a razão nem sempre conhece.

Sei lá que mecanismos se desencadeiam na caixa negra que subjaz à minha música; uma cadência harmónica que tudo determina…uns tambores africanos que se impõem, ou uma melodia que se insinua, antes do adormecer.

A Maria José falou-me do Sonho de Shakespeare (e do seu); o Marco Mascarenhas referiu a sua intenção de trazer ao de cima uma expressão teatral que respeite o passado, piscando o olho ao presente e apontando para o futuro. Umas vezes, dizia-me ele, com aquela doçura da vogal aberta do Português do Brasil... "Estás a ver o Jesus Christ Superstar…". Outras vezes era… “Não é bem a Miss Saigon, mas tem qualquer coisa disso”…

Propus, então com base nessas premissas, uma música com padrões musicais que reflectem o mundo em que vivo; diverso, de contrastes, policromático, embora assente numa certa unidade.

A música para a peça de Shakespeare foi assim concebida, nesta amálgama de coisas de que são cozinhadas as nossas vidas. Uma gota de prazer aqui, um esgar de sofrimento mais adiante…uma balada de cunho amoroso, uma batida mais rebelde de sabor levemente hip hop/rap, um sincopado, aromatizado de jazz.

Também lá está a sonoridade de um ou outro soneto do dramaturgo inglês, de uma delicada avena medieval ou de um cistre, dos que se ouviam nas tabernas londrinas… mas disso não vou falar.

E que me perdoe o Marco, o próprio Shakespeare, porque um músico nem sempre sabe o que faz, ou o que diz…tal como o bis-bis, o nosso pequeno pássaro, do conhecido conto da tradição oral madeirense.

Mário André

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

O "Sonho" no DN-Madeira

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Notícia publicada hoje no Diário de Notícias da Madeira e assinada pela jornalista Teresa Florença.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Diário do Encenador - Última Página

12/02/08

“… Estamos quase lá…”

Caríssimo Diário perdoe-me, descurei-me de ti.

Na verdade, eu não tinha muito o que escrever e, se o fizesse, tornar-me-ia repetitivo em alguns assuntos pessoais e observações cénicas.

Os ensaios entraram numa outra fase, a do “agora ou nunca”. Os meus queridos actores estão cada vez mais seguros, mas ainda há regressões perigosas que só acontecem por falta de concentração e disciplina.

O Ritmo, finalmente, começa a ficar bom. Temos que estar muito “afinados” e seguros, pois só teremos dois parcos dias para a montagem do cenário, das luzes e demais equipamentos, e ainda, adaptar as entradas e saídas dos actores e bailarinas ao espaço… Essa situação lembra-me as minhas digressões, quando chego numa cidade, os técnicos preparam tudo desde cedo e, à noite, no mesmo dia, o espectáculo é feito... só que agora com uma diferença agravante: o espectáculo ainda não estreou…

Realmente, não se pode ter tudo. Sempre sonho em grande, para depois adaptar as coisas à realidade. É uma característica minha, e creio, de muitos encenadores também, pois concretizamos imagens mentais como um pintor quando pega nos pincéis, mistura as tintas e descreve numa tela em branco os seus sentimentos e emoções através das cores. A única diferença entre o artista pintor e o artista encenador é que, este último, trabalha com várias equipas que devem ser geridas ao seu contento. Neste espectáculo, tenho certeza de que cheguei muito próximo das imagens que mentalmente desenhei com o apoio dessas pessoas maravilhosas, ricas em talento artístico. E desprovido de quaisquer sentimentos decepcionantes, eu sigo em frente.

Quanto a ligação pessoal com as equipas de trabalho, elenco, técnicos e produção, a aprecio com carinho, pois na Madeira, com esse grupo, e acredito, também, que aconteça com outros grupos de cá, um encenador não pode agir de forma calculista, com a objectiva “frieza” profissional – característica normalmente aceitável no mundo das artes cénicas – que visa, sem rodeios, a obtenção do produto final, quando são dadas as directrizes aos actores, técnicos e demais profissionais envolvidos num mesmo projecto, todos devem executar as tarefas com a eficácia e “precisão cirúrgica”.

Acho piada, neste trabalho, que tudo “funciona” como se fosse uma grande família, ou seja, com algumas divergências de opiniões, algumas intromissões aqui e acolá, alguns distantes silêncios, e até algumas lágrimas deitadas pelos mais sensíveis... tadinhos..., mas acima de tudo, uma grande cumplicidade e ajuda mútua para atingir um único objectivo. Tenho um carinho especial por cada um e sinto que isso é recíproco. É claro que às vezes uma certa indisciplina teve de ser travada com um grito ou outro. Nesses desagradáveis e inevitáveis momentos, cheguei a sentir-me como um pai que corrige os desmedidos arroubos energéticos de um filho adolescente. Mas nada de grave que não tornasse a compor rapidamente no seu devido lugar… Meu Deus, obrigado pelas bênçãos recebidas… É impossível não me apaixonar!

E agora meus amados amigos, o momento é de atenção, de concentração e de deixar-se levar, adentro, pelo mundo da ficção.

Meu nobre público e amigos leitores desse “Diário do Encenador” que acompanharam religiosamente meus "desabafos cénicos” durante este processo, o meu muito obrigado pelas mensagens de apoio e carinho, mas agora tenho de calar-me e, entre uma tisana e outra, caminhar com as energias voltadas para a estreia.

E para os amigos que vem do continente especialmente para assistir a mais um espectáculo sob minha batuta… Nesse caso, é mais uma varinha de condão… hehehe… do feiticeiro… um carinhoso beijo.

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Relato do Dia - Márcia

08/02/2008

E cá vamos nós, mais um dia de ensaio!
apesar do cansaço, (por ser sexta feira), é necessário leveza, sorriso,
pezinhos em ponta, asas bem abertas, voar voar é preciso!!!
alguns tropeços na dança, e continuar!
o elenco mostra-se mais confiante e seguro!

DIA 20 APROXIMA-SE...

agora o nível de exigência nunca esteve tão alto, principalmente a exigência
de nós própros!!!!

Avistamos bom porto!!!

Márcia Pereira
"Fada Mostardinha"


quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Relato do Dia - Neto

06/02/2008

Há dias e ensaios em que o tempo corre. De repente eram vinte e três horas e trinta minutos, tudo se passou tão rápido.

O encenador vai tirando cada vez menos apontamentos, o que é bom sinal. Mais espectacular é ver o seu ar embevecido para algumas cenas, noutras tanto se mexe e remexe na cadeira. Nas cenas em que participo não vejo a reacção, pois estou “proibido” de olhar para o encenador.

O espectáculo vai-se compondo e ainda bem, que agora é "só" limar ou partir arestas. Mas cuidado, excesso de confiança é prejudicial (acho eu, mas não sou o encenador Ah! Ah!).

Seria bom se já pudéssemos ensaiar no palco do Baltazar Dias, com luzes, guarda-roupa, música e tudo. Lá chegaremos. Espero que meus pés de chumbo não abafem a música e a falta de ritmo não baralhe a dança, muito trabalho para por este peso bruto a dançar.

O tempo escasseia, o cansaço aumenta, é preciso mais força ainda. Força! Força!
Ou vão todos para a forca.

António Neto
"Teseu, duque de Atenas"

Diário do Encenador

06/02/08

“O regresso da paz”

Regressei para casa mais feliz. Os apontamentos começam a rarear e os elogios começam a aparecer, timidamente, mas começam.

Bailarinas a aquecer, actores a prepararem-se com roupas e adereços improvisados. Uma passagem rápida de um novo movimento pela coreógrafa e pronto! Todos à postos… Começámos muito bem.

O ritmo só caiu quando chegou o momento de algumas cenas conjuntas… A falta de ensaios de alguns actores, foi óbvia…

As coreografias estão mais limpas e integradas às cenas. Houve realmente belíssimos momentos. Mas como o espectáculo não deve ser fragmentado, então temos de trabalhar para que tudo fique bem e como deve ser.

Nessa fase o elenco encontra-se mais sensível devido a eminência da estreia. Alguns sentem-se preocupados, e ainda bem, com o que virá pela frente. Só tenho a dizer que confiem no trabalho que estão a fazer e que concentrem as energias para darem o melhor deles.

Estarei com eles até a estreia para depois retirar-me, briosamente, deixando-os com o fruto dessa “paixão” de uma noite de verão que tanto aqueceu-me o coração… nossa, até rimou…

Bem, mas até lá, ainda temos muito o que fazer… Ai, ai, ai, ai…

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Relato do Dia - André

05/02/2008

E depois dos hippies, Dia de Carnaval! Podia ser mais um, entre tantos outros Carnavais, passados junto da família, entremeio disfarces originais e risadas, e a embarrigarmo-nos de sonhos e malassadas com mel de cana… Mas como quem corre por gosto não cansa (ou cansa menos), lá nos reunimos novamente com a nossa “outra família.”

O ensaio foi leve e saboroso, tal qual o sonho… de uma noite de verão. Começamos com um ligeiro exercício de relaxamento, à moda do “Reiki”, e acabámos por correr a peça de fio a pavio. Já foi melhor, mais escorreito e com menos atrapalhações. Os namorados estiveram bem! Pormenores, concentração e espírito positivo, é a receita para que nos sintamos bem a interpretar a nossa personagem, e isso logo transparece para quem nos observa.

E pronto, lá por volta das oito e tal acabámos e voltámos para os nossos sonhos... desta vez para os de Carnaval.

Amanhã há mais!

André Carvalho
"Demétrio"


Diário do Encenador

05/02/08

“Ritmo e polimento”

Melhor, muito melhor. Hoje sinto-me mais aliviado. As coisas começam a entrar novamente nos eixos. Tenho até receios de falar para não atrair pensamentos duvidosos.

Do início ao fim o ensaio decorreu lindamente, houve problemas, mas nada de muito grave, apenas afinações devido ao “esquecimento” de alguns actores de onde posicionar-se correctamente em cena, para além de algumas inflexões perdidas.

As interpretações das músicas pelos actores cantores estão cada vez melhores. Aliar movimento e canto não foi difícil devido aos talentos que tenho sob meu comando.

O maior problema para quem falta é harmonizar-se novamente com os demais actores quando estão em cena. O ensaio corrido é necessário para acertar o ritmo do espectáculo. Qualquer demora entre uma deixa e outra, atrasa o ritmo da peça e conta para o tempo total de duração do espectáculo. Essa “noção de tempo” é dada pelo encenador ao actor que deve manter-se atento e dar atempadamente a resposta ao seu interlocutor… Está quase…

Enfim o “polimento da prata” está a ser difícil.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Relato do Dia - Sales

04/02/2008

Cá estou eu de novo a relatar-vos o decorrer dos trabalhos. A função decorre a bom ritmo…tirando os dias em que alguns actores decidem não aparecer…enfim.

Foi o caso de hoje. A cena dos “saltimbancos” Artesãos, que tem 6 actores, ficou reduzida a 2, todos os outros foram de empréstimo, o que prejudica, e muito, todo o trabalho…

Apesar deste contratempo lá decorreu o ensaio, com o Marco a observar atentamente cada gesto, cada detalhe, cada pormenor, afinando as cenas para que saiam perfeitas.

Neste momento cada um de nós já sabe o que tem que fazer, agora “basta”fazê-lo. Ai… que este basta até que pareceu fácil, infelizmente não é tanto assim, hoje estamos concentrados, amanha regressamos na lua, e os dias vão passando. O esforço, neste ponto já sem retorno, é de conjunto, como um todo, só assim chegamos lá.

Aqui o Egeu vai dando a sua parte, com a ajuda do Filostrato. Mesmo assim, não é que no meio de tanto esforço se me fugiu o Egeu para o Coito. O malandro deste Coito é tramado. Pés no chão, encolhe o dedo, e logo aparece o Egeu…boa.

Estão todos cada vez melhor…os actores…as fadas…todas as personagens míticas ou reais…as bailarinas…um espanto…vamos lá amigos…como diz o nosso amigo Canelas... “Não poupem esforços…dai o vosso melhor”- “Mai nada”.

Ricardo Sales
"Egeu / Filostrato"


Diário do Encenador

04/02/08

“Brevíssimo”

Hoje o ensaio foi um tanto quanto desequilibrado, passámos as cenas na sequência, entretanto houve novamente faltas que prejudicaram o trabalho dos outros actores. Os que estavam presentes fizeram o que puderam para amenizar o problema dando as falas dos ausentes. Claro que isso de pouco adiantou, meu desânimo foi tanto que acabei o ensaio antes de chegar ao fim.

Apontei o que foi possível sobre o trabalho de alguns actores.

As fadas foram maravilhosas e estão cada vez melhores.

Em suma, foi complicado.

domingo, 3 de fevereiro de 2008

E os Ensaios continuam...

(os ensaios continuam, com muita alegria e entusiasmo)

Ao um ritmo "non-stop" os ensaios para "O SONHO DE UMA NOITE DE VERÃO" continuam a decorrer. Com tropeções, asneiradas, risos, e muito, mas muito trabalho, lá continuam os "nobres" actores a levar a água ao seu moinho. Tudo para que, no dia 20 de Fevereiro, consigamos arrasar no palco do Teatro Municipal.

Enquanto isso não acontece, deixamos umas quantas fotos dos ensaios, com particular destaque para as nossas bailarinas de serviço. Cliquem aqui para ver, ou visitem a galeria no site da companhia.

Relato do Dia - Hugo

02/02/2008

É a realização de um sonho participar nesta belíssima obra de Shakespeare: O Sonho de Uma Noite de Verão. Um sonho que dentro de dias irá realizar-se no Teatro Baltazar Dias.

Agradeço o facto de me terem dado a oportunidade de poder demonstrar o que valho no palco.

A minha personagem tem de nome Lingrinhas, e como arte é um alfaiate. É um homem de meia-idade baixo e magro. O Lingrinhas é envergonhado e, cre-se, com tendências homossexuais. Mas é quando se encontra entre amigos (outros artesãos que preparam uma peça de teatro para apresentarem no casamento do duque) que liberta todas as tensões.

Tenho aprendido muito nos ensaios desde a colocação da voz, passando pela respiração e acabando no conhecimento do meu corpo.

O grupo é fantástico e divertido! Os ensaios passam a correr. Sinto o apoio de todo o elenco e da produção!

Não percam este espectáculo, garanto que vão adorar e divertir-se muito. Fartando-se de rir iram retirar uma lição desta historia que mesmo sendo um clássico do século XVI tem muito dos dias de hoje!

Hugo Olival
"Lingrinhas"


Diário do Encenador

02/02/08

“Fadas, fadas… e mais fadas”

Bem, depois de uma noite de comemorações e um despertar um tanto quanto lento, dirigi-me ao local do ensaio, uma hora antes da hora habitual, para ensaiar juntamente com a coreógrafa as coreografias das fadas.

O árduo trabalho começou. Inicialmente limitei-me a por as músicas e só interferi quando foi-me solicitado alguma opinião ou esclarecimento de dúvidas relacionadas com as cenas.

Os actores começaram a chegar e, para minha tristeza, constatei que faltavam elementos de cenas importantes. Não me deixei levar por isso. Dei mais algum tempo para as fadas trabalharem. O Director musical chegou e logo tomou o “posto”. Trabalhei uma cena difícil alterando-a completamente para ajudar o desempenho dos actores. Apontei problema de sincronismo e eles próprios começaram a sentir como deveriam “encaixar” os tempos de algumas falas. Resultou muito bem e fiquei um pouco mais satisfeito. Como não pude avançar mais, pela falta dos outros, dispensei os actores e chamei a coreógrafa com as fadas para continuarem a ensaiar no palco.

Infelizmente as fadas não voam como eu gostava que o fizessem, então que entrem em cena como se voassem pelo espaço... Que arrasem nos movimentos!

E assim foi…

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Relato do Dia - João

01/02/2008

A palavra CONTIGO TEATRO tem muito que pensar, por isso escrevo os meus pensamentos através de um cruciograma, com as palavras “contigo teatro”.

Construção de uma,
Obra sonhada da
Noite para o dia com
Ternura
Imensa,
Gosto pelo teatro
Orgulho-me de fazer parte da peça de Shakespeare, “Sonho de Uma Noite de Verão”.

Tentação tenho em cada dia por pertencer a este
Elenco fantástico porque dão-me apoio para continuar neste trabalho
Ambicioso sou… por isso luto a cada momento pela
Transformação que faço de cidadão para arte do actor.
Reitor é o meu mestre, Marco Mascarenhas, um encenador cinco estrelas, do qual
Orgulho-me de trabalhar.


Aqui descrevo o que sinto por trabalhar com todo o elenco, produção e realização.

Um grande abraço para todos.

João Castro
"Gaitinhas"


Diário do Encenador

01/02/08

“Breves...”

Passámos a peça do começo ao fim sem parar. Os maiores problemas concentraram-se no fim, mas nada que não se resolva.

Observei as coreografias com a coreógrafa e acabámos por acertar detalhes e afinações para o dia seguinte. Dar prioridade às fadas.

Gostava de já ter tudo pronto e montado no palco do Teatro Municipal, não vejo a hora de lá estar… Enfim… Ansiedades…

… Camomila… Necessito de um chá de camomila…

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Diário do Encenador

31/01/08

“A Paixão”

O ensaio começou, evoluiu e terminou bem. Sem grandes problemas.

Muitas coisas que aconteceram nos ensaios durante esse mês e que foram descritas nesse “Diário do Encenador”, com sinceridade e certa precisão. Foi uma proposta aliciante da parte de um dos membros da produção.

Não pude deixar de exprimir emoções nesses “comentários pessoais”, mas, principalmente, também escrevi apontamentos sobre a arte de estar em palco com o objectivo de ajudar alguns dos meus queridos actores durante o processo de criação.

Foi um longo processo devido as poucas horas diárias dedicadas à peça. Por vezes difícil, pela exigência necessária para a concretização do projecto.

Qual o valor de um artista e de sua obra para o grande público? Em que isso pode interferir nas suas vidas? Será apenas um momento de prazer? Ou de crítica analítica para aqueles que dizem-se entendedores na matéria?

A leitura de uma obra rica em signos, nesse caso um espectáculo “shakespeariano”, é feita de maneira instintiva e sensorial pela maioria dos espectadores.

Agora que as coisas estão a caminhar para a estreia, tenho de concentrar-me para o “grande momento” dos actores e também do público, pois, sem este, não haveria razão de ser o Teatro.

A pensar, com carinho, nas pessoas que adentrarem o Teatro Municipal, expectantes do que vão assistir, sinto-me a distribuir paixão de uma forma singela, não piegas, mas simplesmente delicada e bem disposta porque, a sintetizar, o espectáculo fala de paixão.

Quanto a mim, resta-me um sorriso na alma e agradeço ao Universo pela oportunidade de exercer minha profissão de homem do teatro e ser respeitado pelo que faço.