domingo, 30 de setembro de 2007

Projecto "La Nonna"

video
(todos os direitos reservados)

Ideia: José António Barros e Luis Miguel Rosa
Execução: Luis Miguel Rosa

domingo, 23 de setembro de 2007

O Cartaz da peça

"La Nonna" já tem cartaz oficial. Ideia original de José António Barros e concepção Contigo Teatro.

(Todos os direitos reservados)

Calendarização e Bilheteira


Data e hora dos espectáculos:
Dia 17, Quarta-feira: 21h30
Dia 18, Quinta-feira: 21h30
Dia 19, Sexta-feira: 21h30
Dia 20, Sábado: 21h30
Dia 21, Domingo: 18h00
Local:
Teatro Municipal Baltazar Dias

Bilheteira:
Público em geral : € 5,00

Reservas:
telefones: 961547143 / 911100015
e-mail: geral@contigoteatro.com


Sobre o Autor

Roberto Cossa, um dos dramaturgos chave da literatura argentina, nasceu o 30 de Novembro de 1934 no Bairro Villa del Parque, em Buenos Aires. Começou a actuar aos 17 anos num teatro em San Isidro, mas cedo abandonou a representação, e em lugar disso desenvolveu uma extensa obra como dramaturgo e crítico de teatro.

Descreve-se como actor frustrado: “Muitas vezes perguntei-me que me aconteceu a mim com a actuação. Acho que não sentia-me seguro, e não tive a intuição ou a lucidez de me por a estudar” – diz o autor. Como jornalista, passou por Clarín, O Cronista Comercial e A opinião. Correspondente clandestino durante dez anos do Prensa Latina, a agência de notícias cubana. O próprio define-se como socialista e admirador da Revolução Cubana.

A realidade social e a história politica da Argentina marca presença constante na sua obra. “Poucos autores tem alcançado tão perfeito grau de lucidez na interpretação da realidade social e no comportamento da classe média como Roberto Cossa” – diz Osvaldo Soriano, no prólogo de Teatro/1, o primeiro volume das obras completas de Cossa.

De entre elas destaca-se uma obra-mestra: "El viejo criado" (1980). “Toda a miséria argentina está ali: o autoritarismo, a mentira, a cegueira histórica, a estupidez, a ignorância, a prostituição dos valores éticos e morais. Com uma lucidez implacável, através de um bela metáfora, Cossa passa revista à Argentina do último quartel do século XX e mostra o fim e passividade que incumbe o germe da tragédia hoje.” Cossa é o autor de outras obras de grande êxito como La Nona (1977), Gris de ausencia (1981), Yepeto (1987), várias delas levadas ao cinema.

Impôs-se desde a sua primeira peça, em 1964, representando a classe média argentina à procura da felicidade feita simplesmente de alegrias quotidianas. Ele encarna as frustrações de uma sociedade sem êxito e em busca da sua identidade. Toda essa plebe de classes médias baixas que continuam a acreditar em dias melhores. Cossa conhece-os e ama-os, essas pessoas do seu bairro, filhos dos emigrantes italianos, como ele, mas também os argentinos de origem. O que os faz mover, os seus sonhos, as suas ambições, as suas ilusões, é também a força das peças de Roberto Cossa.

Entre a sua vasta obra encontramos:
• Nuestro fin de semana (1964)
• Los días de Julián Bisbal (1966)
• La ñata contra el vidrio (1966)
• La pata de la sota (1967)
• El avión negro (1970) (escrita conjuntamente com Germán Rozenmacher, Carlos Somigliana e Ricardo Talesnik)
• La Nona (1977)
• No hay que llorar (1979)
• El viejo criado (1980)
• Gris de ausencia (1981)
• Tute cabrero (1981)
• Ya nadie recuerda a Frederic Chopin (1982)
• El tío loco (1982)
• El viento se los llevó (1983) (escrita conjuntamente com Jacobo Langsner, Eugenio Griffero e Francisco Ananía)
• De pies y manos (1984)
• Los compadritos (1985)
• Yepeto (1987)
• El Sur y después (1987)
• Angelito (1991)
• Lejos de aquí (1993)
• Viejos conocidos (1994)
• Dom Pedro dijo no (1994)
• Los años difíciles (1997)
• El saludador (1999)
• Pingüinos (2001)
• Historia de varité (2002)


Para mais informação sobre o autor, clique aqui.

Quem é "La Nonna"?

Imagem cortesia "Teatroesfera.com"

La Nonna é uma avó centenária interessante e burlesca dotada de um apetite exagerado que destrói uma família de emigrantes italianos. Empanturrando-se até não poder mais, mesmo o que não é comestível, ela leva a família à ruína, fazendo-os passar as piores vergonhas. Os familiares elaboram estratégias para se verem livres dela mas os aprendizes a marginais depressa se vão tornar os artesãos das suas próprias desordens e vítimas da farsa.

Quem é La Nonna? Pode ser o Estado, que impõe tudo e pressiona até ao limite; pode ser sociedade inexorável em que vivemos; pode ainda ser a família, vista nos próprios sistemas de valores e crenças onde nos afiliamos.

Para nós, a personagem La Nonna – como os gigantes vorazes dos contos infantis, assustadores mas sempre persuasivos – pode ser lida como uma figura mítica que remonta às origens do Homem. O seu comportamento revela a grandeza da sua dupla natureza dionisíaca, força de vida e de morte. Ela pode representar o retorno temido ao instinto elementar e horrível, a desordem absoluta em oposição à cultura e à ordem social.

La Nonna, considerada no seu estatuto de “monstro”, proporciona-nos um prazer inacreditável. Ela torna-se uma hóspede permanente da nossa imaginação pela sua vitalidade, ainda que centenária, que incarna o arquétipo divino do exagero.
A desordem e o mal que ela introduz na sua família levam todos os seus membros à transgressão dos tabus. Ela provoca no seu meio uma série de inversões de valores: a sua neta prostitui-se, os seus filhos caem na delinquência e na exclusão. Em cada aparição da Nonna, dá-se uma ruptura no universo quotidiano.

La Nonna é, por assim dizer, um afastamento relativamente à natureza e deve provocar em nós reacções contraditórias: tristeza e prazer, riso e piedade. Enfim, esta velhinha, um pouco grotesca e engraçada, é um duplo de todos nós e reflecte os nossos desejos de poder, de eternidade, de violência – tudo o que está habitualmente recalcado no inconsciente.

Sinopse de "La Nonna"


Uma família de raízes italianas, numa qualquer cidade que pode muito bem ser Buenos Aires, ou até, porque não, o Funchal, depara-se com a miséria e culpa a sua avó centenária pelo facto dela comer desmesuradamente. A avó, a Nonna, fala uma mistura hilariante de italiano e de português, mas é fácil de compreender, pois cada palavra é sobre comida e não faz mais nada a não ser comer. Os esforços da sua família para evitar a ruína transformam-se em esquemas com vista a se livrarem da Nonna. Mas as qualidades de uma sobrevivência secular prevalecem e acaba por ser um outro membro da família a ficar apanhado em cada armadilha empreendida. O escasso espólio que a família possui acaba por ser vendido ou penhorado, mas a Nonna ainda assim persiste na sua voracidade.

Encenação

Viva!

De entre muitas peças que leio ou assisto, meia dúzia delas ficam na minha lista imaginária de peças a encenar e a produzir antes de morrer. La Nonna, de Roberto Cossa, figurava no “top” desse rol desde que assisti à estreia da mesma, pelo grupo Teatroesfera, encenado pela Paula Sousa no Teatro Armando Cortez. Porque é que gostei tanto desta peça? Boa pergunta! São tantas as razões, e podia enumerá-las seguidamente, mas em vez disso, apenas deixo algumas ilações e desafio o espectador a encontrar a resposta ao longo do que vai assistir esta noite.

Talvez por ser um texto inusitado, uma situação absurda, cujo suspense prende do primeiro ao último minuto do espectáculo. Ou pela personagem inesquecível da Nonna, que considero ser uma daquelas que deve figurar em qualquer lista (que se pretenda honesta) das dez figuras mais marcantes do teatro universal.

Talvez porque a peça se reveste de uma leveza cénica que corre pelo palco como o voo de uma borboleta, ou pela homogeneidade da interpretação das personagens. Além de que La Nonna é a própria modernidade em cena e, para além disso, um retrato refulgente e vivo do canibalismo social.

Ou ainda talvez porque a cena contagia, comunica e surpreende de uma forma que é impossível ficar distante dela, pelo que adivinho que o espectador não chegará ao final da representação sem que tivesse balbuciado umas palavras, como se quisesse fazer parte da cena.

Ou será porque o autor tem a precisão de um cirurgião, e através do bisturi dramatúrgico, entra e rasga a carne da sociedade, incapaz de deter a voracidade de alguém com quem nos acostumamos a conviver e todos queremos matar. E ainda rimos da tragédia! Somente os mestres o conseguem, e Roberto Cossa consegue. Reparem que a confluência trágica / cómica percorre e se dilui simultaneamente nos domínios do absurdo e do realismo. Esse é um dos segredos para o êxito desta peça.

A obra continua a dar voltas ao mundo, mesmo 30 anos após ter sido escrita. Porquê? Porque continua vigente. Acho que está muito relacionada com a nossa maneira de viver. La Nonna representa a voracidade que se instala no interior da nossa casa e que vai destruindo toda a boa convivência. É um símbolo expressionista do consumismo desapiedado que tomou conta da nossa vida e transformou-se num comportamento generalizado da sociedade. No tempo em que vivemos, ressurge perigosamente entre nós um mal tão ignóbil: o egoísmo. As pessoas vivem cada vez mais de costas voltadas umas para as outras. Competem ferozmente por coisas insignificantes e não olham a meios para atingir fins meramente economicistas e pessoais. O egoísmo corrói a virtude humana, põe a nu o pior que há em cada ser, e tem efeitos irreversíveis. É uma doença contagiante e de cura complicada. Os sintomas estão à vista de todos: solidão, depressão, revolta, guerra, morte...


Ao perspectivar o espaço cénico, procurei que o mesmo fosse concebido numa óptica um tanto ou quanto desproporcionada. Sem a necessidade de exageros, o espaço, o vestuário e a representação conseguem levar-nos numa direcção extraviada entre o possível e o impossível. Reforçar o aspecto absurdo, dramático e cómico da peça é intenção, mas sem perder a carga realista que a obra encerra. Vagueei, deste modo, entre o conto fantástico, o universo de banda desenhada e a vida do dia-a-dia, procurando salientar dessa forma as potencialidades desta portentosa tragicomédia.


José António Barros

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

"La Nonna" já roda


O novo trabalho da companhia Contigo Teatro já está em marcha. "La Nonna" do argentino Roberto Cossa, com tradução de Luiz Rizo, foi a obra escolhida. A encenação fica a cabo do estreante José António Barros. O palco é como não poderia deixar de ser, o Teatro Municipal Baltazar Dias.

Todos estão a trabalhar empenhadamente dia e noite para a estreia de "La Nonna". Um espectáculo que promete surpreender, e se tornar num daqueles momentos singulares no teatro madeirense!

Palavra da Companhia!

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Dina Pimenta apresente "Pintura... Depois do Sol"

(Dina Pimenta expõe o seu trabalho no Museu Casa da Luz)

"Pintura... Depois do Sol" é o título da nova exposição da pintora madeirense Dina Pimenta, que estará em exibição a partir de amanhã, quarta-feira, no Museu da Casa da Luz, pelas 19h30.

Dina Pimenta, funchalense de gema, é licenciada em pintura pelo Instituto Superior de Arte Plástica da Madeira, e já conta no seu vasto currículo participações em várias exposições de pintura, onde se destacam a Pintura Mural, na Zona Velha da Cidade e no Teatro Municipal Baltazar Dias (1988), participação no Salão de Outono "Plascencia" (1999), e mais recentemente na exposição "Diver(c)idades" que reuniu vários artistas de vários ramos artísticos (2007).

Em 1985 foi distinguida na sua arte pelo Governo Regional da Madeira, e em 1999 venceu o 1º prémio no 2º Salão de Primavera de Artistas Plásticos da Madeira.

A exposição estará aberta a todo o público no Museu da Casa da Luz, no Funchal, a partir do dia 19 de Setembro, no horário normal de funcionamento do espaço.

terça-feira, 11 de setembro de 2007

(re)Visitação no ArtForum

(Rita Rodrigues expõe “(re)VISITAÇÃO” no Art Forum)

O Forum Madeira continua a apostar nos artistas plásticos madeirenses, desafio a que se propôs com a criação do ART Forum, espaço que a partir do próximo dia 1 de Setembro recebe “(re)VISITAÇÃO”, uma exposição de Artes Plásticas de Rita Rodrigues.

Em forma de retrospectiva, “(re)VISITAÇÃO” concilia vários meios operatórios de expressão plástica, do desenho à pintura, da fotografia à serigrafia, passando pelas técnicas mistas. Uma visita a esta mostra propõe um olhar atento sobre os corpos, os objectos, as vivências, com o propósito de provocar sensações.

Natural do Funchal, Rita Rodrigues é Licenciada em Artes Plásticas/Pintura pelo Instituto Superior de Artes Plásticas da Madeira (ISAPM), hoje Departamento de Arte e Design/UMa, e Mestre em História variante História da Arte. A artista tem no seu palmarés alguns prémios (Poesia e Serigrafia) e foi co-fundadora da Circul'Arte. Expõe desde 1983 em mostras colectivas, nas ilhas e no continente, e desde 2006 já realizou duas mostras individuais (Casa da Cultura de Câmara de Lobos e Galeria Casa das Mudas) sendo a presente exposição do Art Forum a terceira individual. Foi, ainda, colaboradora das revistas «Espaço-Arte» (ISAPM), “PoliArte” (SAAD), “Salém” e FNC.

A ART Forum, espaço do Forum Madeira dedicado à arte, palco de inúmeras exposições, presenteia agora os seus visitantes com uma mostra onde a instalação que apresenta, aliada à pintura, desenho, serigrafia e fotografia, que vagueia entre a predominância do preto e branco (fotografia) e a exaltação cromática (serigarfia e pintura) seduzem o visitante e levam-no a reflectir sobre a vida e sobre nós próprios.

A exposição estará aberta a todo o público no Fórum Madeira, durante todo o mês de Setembro, no horário normal de funcionamento do centro comercial.