quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Regulamento do Concurso


R E G U L A M E N T O



1-Enquadramento
É um concurso integrado no projecto da Associação Companhia Contigo Teatro a decorrer durante o ano lectivo 2008/2009, aberto à participação de todos os jovens que frequentem escolas públicas ou privadas do Ensino Secundário e Superior, tendo como tema frases relacionadas com a obra Desastre Nu de António Aragão.

2-Objectivos
O concurso tem como objectivos sensibilizar os jovens para a interpretação/ análise da obra de António Aragão e incentivá-los a desenvolver e valorizar competências técnicas e de criatividade no âmbito das Artes Plásticas.

3- Condições Gerais de Participação
3.1-Os trabalhos a concurso deverão obedecer à interpretação/ilustração de frases da obra de António Aragão e serem executados em suporte de papel ou cartão formato A3 ou A2.
3.2-Não existem restrições em termos de técnicas, podem ser enviados desenho, pinturas, colagens ou outros desde que sejam facilmente transportáveis pelo correio.
3.3-Os trabalhos a concurso deverão ser entregues devidamente acondicionados, de forma a evitar qualquer dano, e identificados no verso da obra (canto superior direito) com os seguintes dados:

a) Frase escolhida.
b) Pseudónimo do autor.

3.4-Cada trabalho será ainda acompanhado por um envelope fechado, contendo os seguintes dados:

a) Nome do autor
b) Pseudónimo do autor
c) Frase escolhida.
d) Número de BI
e) Telefone/Telemóvel
f) E-mail
g) Morada completa
h) Escola que frequenta
i) Data de nascimento

3.5- Os concorrentes podem apresentar-se individualmente ou em equipas constituídas até ao limite de 3 participantes.
3.6- Cada participante individual ou em equipa poderá apresentar até 2 trabalhos.

4 - Entrega dos trabalhos
4.1 – A inscrição será feita até ao dia 28 de Março de 2009, enviando os dados através do preenchimento de uma ficha de inscrição disponibilizada no site www.contigoteatro.com.
4.2 – Após o preenchimento e envio da ficha de inscrição, os trabalhos correspondentes terão que ser enviados até ao dia 31 de Março de 2009, através de correspondência validada pela data inscrita no carimbo dos CTT, ou entregues em mão na seguinte morada:

Associação Companhia Contigo Teatro,
Caminho de Ferro, nº 132 casa 4
9050 – 208 FUNCHAL

5 - O Júri
5.1 – Os trabalhos serão apreciados por um júri constituído por 4 elementos com formação em Artes Plásticas: 1 elemento da Direcção da Companhia Contigo Teatro; 2 artistas plásticos residentes na RAM; 1 docente da UMa. Também fará parte do júri 1 representante da entidade patrocinadora, perfazendo, assim, um total de 5 elementos.

Data da reunião do júri: 16 de Abril de 2009
Data de divulgação dos resultados: 17 de Abril de 2009
Data da exposição dos trabalhos: de 15 a 30 de Junho

5.2 – Ao júri reserva-se o direito de não atribuir prémios se a falta de qualidade dos trabalhos o justificar e de atribuir prémios ex aequo.
5.3 – Do resultado do concurso o júri lavrará a correspondente acta fundamentada, que será assinada por todos os seus membros, altura em que também será divulgado o resultado no site da Companhia.
5.4 – Todas as situações não previstas no presente Regulamento, sobre as quais haja eventual necessidade de regulamentação específica, serão da exclusiva competência do Júri.

6 - Prémios
6.1 - Serão atribuídos prémios aos 2 concorrentes melhor classificados nas duas categorias: Ensino Secundário e Superior:
6.2 – Os prémios serão:

-Ensino Superior:
1º Prémio - 500 Euros
2º Prémio - 200 Euros
-Ensino Secundário:
1º Prémio - 200 Euros
2º Prémio - 100 Euros

6.3 - Os prémios para as equipas serão divididos em partes iguais pelos membros das equipas.
6.4 – Será feita uma Exposição com todos os trabalhos enviados em data e local a anunciar brevemente no site da Companhia Contigo Teatro. A cerimónia de Entrega dos Prémio terá lugar no dia da abertura da exposição em local e data a anunciar no site da Companhia Contigo Teatro.
6.5 – Os concorrentes premiados serão avisados através de notificação à Escola ou ao próprio e serão informados sobre a hora e dia de entrega de prémios.
6.6 – A cerimónia de Entrega dos Prémio terá lugar no dia da abertura da exposição em local e data a anunciar no site da Companhia Contigo Teatro.
6.7 - Os trabalhos premiados ficarão a fazer parte do espólio da entidade promotora.
6.8 - Os interessados poderão solicitar esclarecimentos adicionais, através do seguinte endereço electrónico: geral@contigoteatro.com.

7 - Certificados e Diplomas de Mérito
7.1 - Será entregue a todos os concorrentes um Certificado de Participação.

8 - Direitos de Autor e Direitos de Utilização
8.1 - À Associação Companhia Contigo Teatro reserva-se o direito de edição sobre os trabalhos apresentados a concurso, com possibilidade de ceder esses direitos a terceiros, e de publicação sem limitação do número de exemplares nem de edições. Os exemplares assim editados e publicados estarão isentos do pagamento de direitos de autor.
8.2 - Os autores dos desenhos e pinturas apresentados a Concurso renunciam expressamente a qualquer pretensão sobre esses direitos.

Concurso de Artes Plásticas


(Re)EnCONTrO com António Aragão

Apresentação

A Associação Companhia Contigo Teatro tem como fins específicos a realização e produção de espectáculos de teatro nas suas diferentes formas e visões. Os seus espectáculos destinam-se a todo o tipo de público, com especial destaque para a camada adolescente, apresentando textos cujas temáticas sejam de natural interesse, actual e assertivo, promovendo o debate e a discussão das mesmas.

(Re)Encontro com António Aragão
Contigo Teatro e o Projecto Regional de Leitura

Com os objectivos gerais de incutir nos jovens o gosto pela leitura, habilitar os alunos a assimilar e a interpretar crítica e criativamente obras literárias, contribuir para a dinâmica e enriquecimento cultural dos jovens, proporcionando-lhes espectáculos teatrais diversificados e estabelecer parcerias com agentes culturais, de forma a divulgar e enriquecer o trabalho da Associação, assim como de proporcionar formação e outras experiências na área das expressões, a Companhia Contigo Teatro desenvolve o projecto Contigo Teatro e o Plano Regional de Leitura, com o apoio da Secretaria Regional da Educação e Cultura e da DRAC, assim como de outros parceiros sociais.

No âmbito deste projecto, já está em preparação, desde Junho deste ano, o (Re)Encontro com António Aragão com vista a abordar a obra deste autor madeirense. Dentro da programação das diferentes actividades realizaremos este Concurso de Artes Plásticas.

Recomendamos aos educadores e aos professores que desenvolvam a unidade de trabalho tendo em conta os interesses dos alunos, partindo da interpretação de algumas frases da obra Desastre Nu de António Aragão, interpretando criticamente as frases escolhidas, de modo a que a obra deste artista seja uma plataforma para diálogo e questionamento sobre aspectos contextuais, temáticos e formais. Por exemplo:

- ‘Sim. Venho de muito longe. De tão longe que quase perdi a noção do tempo. Isto é, do passado e também do presente. Apenas dou pelo futuro. Por isso ando. Continuo andando.’ Penélope; Desastre Nu.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Desastre Nu em Estreia!

Hoje às 21 horas sobe ao palco da Casa das Mudas a nova peça da Companhia Contigo Teatro. Chama-se "Desastre Nu" e é a única obra que o recentemente falecido autor madeirense António Aragão escreveu para teatro. É sobretudo uma obra sobre a natureza humana, com pitadas de um humor corrosivo, negro e sarcástico.

Fique com o programa oficial da peça.


(Video CT @ Todos os Direitos Reservados)

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Contagem Decrescente

A poucos dias da estreia de "Desastre Nu", de António Aragão, e agora já no palco da Casa das Mudas, continuam os ensaios dos actores, principais e figurantes, conjugados com todo o trabalho de luz e som que a peça requer. Eis alguns dos momentos dos ensaios...

(Fotos CT @ Todos os Direitos Reservados)

domingo, 9 de novembro de 2008

Apresentação do Elenco

(Foto: LMR/CT)

Para "Desastre Nu" a companhia conta com alguns dos seus habituais membros mas, como já vai sendo hábito, volta a promover novas caras, cumprindo com o seu objectivo de alargar a experiência teatral ao mais vasto público.

Aproveitando a primeira visita da Companhia no palco do Centro Cultural Casa das Mudas, "Desastre Nu" conta também com a participação especial do Grupo de alunos do núcleo de teatro da Escola Básica e Secundária da Calheta.

Assim o elenco está organizado da seguinte forma:
Sandro Nóbrega - Militar Superior e Rei
Marco Ribeiro - Militar Subalterno e Ministro da Guerra
Nuno Santos - Professor
Celina Pereira - Penélope, Miss, Julieta e Rapariga
Filipe António - Sacerdote
António Neto - Comerciante
André Carvalho - Mecânico
Ricardo Sales - Ajudante
Figurantes:
Ana Luísa Pereira
Cláudia Sequeira
Carolina Silva
Mara Silva
Fabiana Andrade
Ilda Ventura Figueira
Vítor Samuel Balanco

"Desastre Nu" - 1º Dia na Casa das Mudas

Continuam os preparativos para a apresentação da peça "Desastre Nu", o novo trabalho de palco da Companhia, inserido no mais vasto projecto que é o (Re)Encontro com António Aragão. Desta vez o cenário é já o Centro das Artes Casa das Mudas, na Calheta, onde a Companhia já assentou arraiais com vista à estreia na próxima sexta-feira, dia 14. Eis algumas imagens do momento...


(Fotos CT @ Todos os Direitos Reservados)

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

A propósito do Texto Desastre Nu

(Foto: LMR/CT)

Desastre Nu é um espectáculo que se integra no projecto Re(Encontro) com António Aragão apresentado pela Companhia em Junho de 2008 e pretende ser uma forma de recordarmos e darmos a conhecer aos jovens este grande nome da cultura madeirense. Este projecto, feito em parceria com a Secretaria Regional de Educação e Cultura, cumpre também os objectivos do Plano Regional de Leitura, destacando o teatro como um meio importante de incentivo à leitura e à reflexão e promovendo o interesse por diferentes áreas do saber, com especial afinidade pela das expressões e das técnicas de palco.

Desastre Nu é a única peça de teatro escrita por António Aragão em 1981 e mereceu o segundo lugar de um concurso promovido pelo Ministério da Cultura. A nossa atenção para este texto deve-se não só ao facto de ele fazer parte da lista dos textos dramáticos indicados no Plano Regional de Leitura, mas, sobretudo, à actualidade das temáticas nele abordadas, sem dúvida, um contributo à formação do jovem enquanto cidadão interventivo. Num texto, que o dramaturgo dividiu em quatro episódios, denuncia-se a luta desmedida pelo poder, à hipocrisia religiosa e à manipulação dos mais fortes sobre os mais fracos e resignados, tal como observamos, por exemplo, em Felizmente há Luar! de Luís de Sttau Monteiro ou ao longo das páginas do Memorial do Convento de José Saramago.

Em Desastre Nu, toda a humanidade é posta à prova, desde os tempos áureos dos gregos peripatéticos até à sociedade podre e artificial dos nossos dias, comprovada pela tese de um professor muito estranho: “a humanidade cheira mal. Nós pertencemos à humanidade, é de crer que também estejamos a cheirar mal, ou seja, a apodrecer.”

Afinal, nada mais do que a nossa condição humana…

Os Coordenadores:
Conceição Gonçalves
Maria José Costa
Sandro Nóbrega

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Cartaz apresentado

(clicar para aumentar)

Já foi divulgado o cartaz para o novo trabalho da Companhia "DESASTRE NU", que estreia próximo dia 14 de Novembro, na Centro das Artes Casa das Mudas, na Calheta. A autoria é de Alexandra Fonseca.

domingo, 12 de outubro de 2008

Continuam os ensaios

Continuam os ensaios para a peça "Desastre Nu", o novo trabalho de palco da Companhia, inserido no mais vasto projecto que é o (Re)Encontro com António Aragão. Com inevitáveis entradas e saídas de alguns actores, com alguns novos adereços para a cenas, estudo das marcações e um maior à vontade na leitura do texto, o trabalho vai de vento em popa. Ficam para novo reconhecimento algumas fotos dos ensaios até à data.

(Fotos CT @ Todos os Direitos Reservados)

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Passagens de Aragão III

Caríssimo Pimenta

Funchal, 13 junho, 82

Principiei a escrever-te logo no dia 8. Entretanto interrompi no dia 10 e só hoje acabei este pedaço de carta.
Em virtude de no dia 10 ser dia da pátria resolvi também não fazer nada. Tudo fechou. As repartições, comércio e correios fecharam. Na sexta-feira fechou tudo outra vez. Por tabela. Porque estava no meio. Não fazia sentido nem valia a pena. Só restaurantes e tascas é que abriram. Quando passei nas ruas quase jurava que ouvia a mastigação. Realmente tratava-se da pátria. E houve discursos como sempre. Como antigamente. A pátria e Camões. O Camões e a pátria. Cerimónias a valer. Soldados a rigor. Músicas tocando. Tudo com dignidade e muito respeito. Disseram que o Camões fazia versos inspirados e era também de «índole buliçosa». Que, no seu tempo, o camões chegara a levar «numa mão a espada e na outra a pena». Realmente deveria ter uma notável habilidade. Ah como admiro as maravilhas lusitanas! As glórias lusas. O comer luso. A água do luso. O frevor luso. O luzismo luzido e luzidio.
Camões também repórter de guerra! Arriscando a própria pele. Temos de concordar que é bonito. Elevado. Heróico. Invulgar. Como se comportaria ele, hoje, nas guerras do Líbano ou das Malvinas? Com mísseis numa mão e gravador de pilhas na outra? Mortífero e inspirado!
E continuo à procura de pistas. Não me esqueci. Mas, agora, é difícil. Anda tudo à volta da pátria, do Camões, das caramelas, dos reises, das bichas para a gasolina, dos filmes portugráficos, das costoletas de porco com batatas fritas, das histórias dos mísseis, do pudim flan, dos aumentos e mais aumentos, etc. E só para falar no essencial.
E os três farros? Nada de três farros? Gostaria de dizer-te não sei bem o quê, do meu alvoroço. Sei que estamos metidos na mesma alhada. Tanto tu como eu. Mas então como escapar disto? Como? Nem chamo horror. Talvez antes odor de algo escondido. Porquê o excessivo cheiro a queijo espalhado por toda a parte? Porquê? Inspiração gloriosa e insubmissa?
Outra vez a mesma questão das vacas ou dos ministros a propósito das vacas? O cheiro da pátria desde o começo da nacionalidade?
Às vezes chego a pensar que talvez se pudesse perceber algo lançando mão dum sério e profundo tratado sobre os excrementos. Um verdadeiro tratado da merda. A sério. Por este lado seduz-me um pouco. Mas quem me garante que não seja demasiado escolástico? Então desamparo-me. Desisto.


Fernando Aguiar, António Aragão e Alberto Pimenta antes (ou depois) da realização de um poema visual conjunto, que esteve exposto na Galeria Diferença, 1985 (foto "in" http://ocontrariodotempo.blogspot.com)

lisboa, 20.2.83

meu caro aragão:

esta noite, acho que das emoções todas por que tenho passado, tive um sonho retumbante. um homem e uma mulher a foder, ambos com duas enormes auras. ou seriam só duas auras? Mas as auras não fodem sozinhas, precisam do corpo. ela em cima dele, deitada, corpo colado com corpo, aura misturada com aura...então por trás veio um anjo de asas brancas a voar e zás!, enfaticamente enfia-lhe no cu! ela em erosão com o tipo em baixo, o anjo em erosão com ela. que trio! que quadro! um verdadeiro fra angelico!
depois o anjo retirou-se devagarinho, desenroscou o próprio caralho (que num anjo tinha de ser postiço, e aqui o sonho funcionou com uma lógica impecável) e começou a comê-lo! «uhn... bendito o fruto do teu ventre!», disse ele afastando-se no ar, batendo com as asinhas. a mulher entretanto também se levantou e tudo se desvaneceu. não lhe vi a cara e tive pena porque esta era sem dúvida a galinha dos ovos de ouro de que fala aleister crowley na carta ao frater saturnus.
mas se te escrevo é só para te dizer que ontem reparei que o tal restaurante ao lado do dentista ( o pedra de moiros, que por sinal tem o letreiro cada vez mais estragado) tem agora um supermercado anexo, com um átrio regional com uma espécie de palhota que tem estes dizeres em cima: frangos alheiras roscas regueifas ovos. o supermercado pertence também ao dono do restaurante, que além disso tem uma fábrica de sapatos e é dono do aviário local e também vereador e presidente do clube de futebola e, quando há eleições, distribui botas e copos em troca de votos. estás a ver? é um autêntico tornado.
Um superabraço do teu
a.


ALBERTO PIMENTA. ANTÓNIO ARAGÃO
“in” Os 3 farros-descida aos infernos

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Passagens de Aragão II


LIBERDADE. CARAVELAS. FILETES. ETC

realmente a gente pode? a gente serve? a gente presta? a gente trabalha para a família e veste-se de destino e caspa com satélites para a gente quando tudo faz falta? mas
afinal quem consentiu outro follow-up com restos de militares e sida dos filetes e mais sustos com muito tempero no prato? quem falou de liberdade e decência no horror plantado na horta?
cá por mim comporto-me com delicadeza. sou educado. andei na escola. fiz as contas certas. aprendi boas maneiras. e mesmo quando chupava pastilhas elásticas e apalpava o cu `professora acreditava na liberdade e na metafísica. depois
ensinaram-me muita coisa que não vem nos livros e o Mercado Comum e o non-sense das taxas de câmbio na parte mais lixada da cabeça. então
ainda por cima havia o pasmo despido das garotas ou outra coisa qualquer sempre por detrás da porta.

e assim a gente pode? a gente serve? a gente presta? mas
ainda escrevi a minha assinatura logo por baixo do parlamento europeu e do assombro do peixe servido na travessa. então
(acredita querida acredita) vi o know how eurocrata e os sacanas todos com candelabros e imensos de hortaliças. exactamente desse modo de liberdade com naftalina e o hábito recíproco de fazer caca. e
de seguida houve a tal história capitalizada da gente com mais salada além dos filetes com sida no prato. tudo a curto prazo e facturado celestialmente na conta. depois
foi a tal questão do Terceiro Mundo na velocidade do sangue dos insectos e a gente sempre a ver um filme com muitas putas no escuro quando a gente acontece.

mas querida a gente pode? a gente serve? a gente presta?
e os tais gajos com vacas e petróleo e (que zás!) a meter pelo cu o que já não cabe no fogo da boca. e que é assim a favor do povo com outros mares e outras rotas e caravelas de borla para passear a malta. mas isto e aquilo e frito e cozido.(...)

ANTÓNIO ARAGÃO
“in” PÁTRIA.COUVES. DEUS. ETC.
COM TESÃO. POLÍTICA. DETERGENTES.ETC.
( 3ª Edição, Lisboa 1993)

domingo, 28 de setembro de 2008

Passagens de Aragão


BATATAS. PESCOÇO. SALSA. ETC.

à mesa do restaurante a facilidade da revolução com granadas nos pratos. o Fagundes exaltou-se e empurrou a roupa: todo sujo de nomes e decorado de sustos. alguém gritou: a sopa está acesa e o estilo do universo não presta. o povo que diga. o povo que meta. entretanto
o Juca empernava com a Micas por baixo da mesa e bebia mais nuvens com cornos no copo. talvez mais manteiga. talvez mais pimenta. a Micas que diga. a Micas que meta. talvez mais salada. talvez mais armas. depois ela ardia uma sacana na testa.
a fome era muita. a revolução incerta. e repetimos as batatas e a maldade da metralhadora muito quente na travessa. e a gente insistia. o povo que diga. o povo que meta. então
pedimos mais guerrilha com azeitonas e cegas luas em lata. a certa altura
comi um país na ponta do garfo. porra era fácil e havia o direito! mas não quis mais santos decapitados nem assombros de vacas. em seguida
contei o meu tempero da revolução à malta. e pus o paraíso no pescoço cortado para não me sujar no retrato.
o povo que diga. o povo que meta.

E HAVIA OS BOIS DA BATALHA DE ALJUBERROTA COM A MÃE SATISFACTA À JANELA MORTA E O GAJO PATRIÓTICU SEMPRE A DESPIR A NOIVA SANTA. CLARO QUE TAMBÉM A MALTA COM OUTRA BANDEIRA DA PÁ!TRIA E O GRI GRI DO ASPIRADOR A CATAGRUAR A GRETA.

pronto: fiquei eterno de camisa e suspeito de salsa.


ANTÓNIO ARAGÃO
“in” Pátria.Couves.Deus.Etc

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Começaram os ensaios

Depois de várias leituras, de avaliações e análise dos perfis dos personagens, e das ideias definidas dos encenadores, finalmente começaram os ensaios para "Desastre Nu", o novo trabalho de palco da Companhia, inserido no mais vasto projecto (Re)Encontro com António Aragão.

Como habitualmente os ensaios realizam-se na Imaculado e continuarão até meados de Novembro com a subida em cena de todos os actores. Ficam para reconhecimento algumas fotos do primeiro ensaio.

(Fotos CT @ Todos os Direitos Reservados)

sábado, 13 de setembro de 2008

O legado de António Aragão

António Aragão (1921-2008) já partiu. Mas a sua passagem pelo mundo dos vivos deixou uma marca indelével.

Historiador, poeta, romancista, contista, dramaturgo e pintor, o seu legado persiste entre nós, pronto a ser descoberto e reencontrado.

Do vasto espólio de António Aragão, algumas das suas obras e artigos estão disponíveis na Biblioteca Municipal do Funchal (no Palácio de São Pedro, Rua da Moraria, nº 31, de 2ª a 6ª feira das 10h00 às 19h00).

A saber:

- Estabelecimentos culturais do Funchal, in Panorama: revista portuguesa de arte e turismo, nº. 9, 2ª. Série, Lisboa 1954. pp. [48-49].

- “António de Carvalhal Esmeralda «Aonio»: desconhecido e inspirado poeta madeirense que viveu na época de seiscentos: o mais antigo manuscrito de poesia insular que se conhece”, in Das artes e da História da Madeira, Funchal, Sociedade de Concertos da Madeira, 1964. pp. 33-35.

- “Alguns tópicos para a classificação urbanística da Madeira”, in Islenha, nº 9, Funchal, DRAC, Jul.-Dez.1991, pp. 21-31

- Pelourinhos da Madeira, Funchal, Junta Geral do Distrito Autónomo do Funchal, 1959.

- O Museu da Quinta das Cruzes, Funchal, Junta Geral do Distrito Autónomo, 1970.

- A Madeira vista por estrangeiros: 1455-1700, Funchal, SRTC/DRAC, 1981.

- Para a história do Funchal: pequenos passos da sua memória, Funchal, SRTC/DRAC, 1979.

- Para a história do Funchal: 2ª. Edição revista e aumentada, Funchal, SRTC/DRAC, 1987

- Madeira: investigação bibliográfica, Funchal, Centro de Apoio de Ciências Históricas do Funchal, 1981 (co-autor com Gilda Dantas)

- As armas da Cidade do Funchal no curso de sua história, Funchal, SRTC/DRAC, 1984



- Um Buraco na Boca: romance, Funchal, Livros CF, 1971.

- Arquipélago: poesia, Funchal, Eco do Funchal, 1952.

- Desastre Nu: peça de teatro em quatro episódios, Lisboa, Ed. Moraes, 1981 (2º. Prémio do concurso de peças de teatro inéditas promovido pela Secretaria de Estado da Cultura).


Sites de Referência:
- Blog da Biblioteca Municipal do Funchal
- By The Way de César Figueiredo
- O Contrario do Tempo
- Passos na Calçada


domingo, 7 de setembro de 2008

« Um telegrama no ‘ecrã’, ao ralenti » III

(Clicar para aumentar)

Numa folha fina (cuja textura poucos de nós lembrará, quase tão anacrónica como a dos aerogramas), o poeta cria um outro sentido – seu, manuscrito – sobre um suporte (um impresso comum por aqueles dias). Nas caixas pré-definidas (pelos ‘serviços’, naturalmente), em “destino” pode ler-se “mesmo”. Em “palavras” escreve-se “lavram palavras”. A “data” é “atada”. É um jogo de palavras, claro. Mas quantas palavras são? “Número”: “nu”. Talvez seja este o centro da questão, no fundo e no coração da experiência humana (entre o passado, o presente e o futuro) está a linguagem: a “hora de apresentação” é “H”, o “telefone” é “provisório”. O “texto e assinatura” endereçam-se a cada um de nós: “PRÉTERNURA PARATERNURA STOP”. Assinado: “TER NU TEU”. Assim ficou inscrito. Assim permanecerá, “TELEGRAMANDO”.

António Aragão é o poeta que nos ensina uma outra dimensão da linguagem, na letra e na forma de notícias em que se pode “dizer no mundo o amor de todas as coisas” ou na criação de um verbo (novo e nosso). Talvez seja (ainda) possível ‘telegramar’ para um outro de nós do outro lado de um qualquer ecrã ou tela e se possa, como se pede no poema, “repetir quantas vezes nos apetecer ou procurar cada vez mais outra maneira”: “ou porque corro o branco de me voltar para ti / na parte da cena de não te saber / ou então passo a fita ao ralenti para te sonhar” (Folhema 2, 1966). Olhe. Corte. Cole. Procure “cada vez mais uma outra maneira”. ‘Telegrame’. Assim vivem os poetas: “Paraternura”. Ao ‘ralenti’.

Por Diana Pimentel
dp@uma.pt
in Diário de Notícias, Funchal: Revista mais
24 a 30 de Agosto de 2008, pp. 18-19

« Um telegrama no ‘ecrã’, ao ralenti » II

Coladas, apagadas, riscadas, manuscritas, assim tomam lugar as palavras no papel. É um texto e um é desenho. Aqui a leitura é um exercício, uma tentativa (experimental, claro) que pede de nós, leitores, um lento mover do olhar e da atenção. Escolhamos alguns fragmentos (pode ‘recortar’ os seus com a ajuda de uma caneta… experimente, na ilustração encontrará uma forma de consentimento para este ‘delito’: “PARA MEXER”). Leio: “Uma vida que se pode dizer longa é imposta quotidianamente a pressões diferentes”. É um facto. Uma notícia inelutável.

Mas onde está a poesia? Dilua agora a atenção e distancie um pouco o olhar.

(Clicar para aumentar)

Em letras maiores, separadas e distantes: “REVELA-SE EM DIZER NO MUNDO O AMOR DE TODAS AS COISAS” (encontrou?).

Na verdade, este não é um mas vários poemas, que “permite várias leituras, i.e., faz com que apareçam diversos poemas dentro do mesmo poema ou um poema ligado a outro ou uma outra poesia conseguida por diferentes articulações” (Poesia Experimental 1). Esse era o desejo do poeta, que se pudesse encontrar “a poesia encontrada desprevenidamente no que lemos todos os dias”, com a “colaboração do fruidor” (Poesia Experimental 1). Recriar, relendo, sublinhando e desenhando. Quase a brincar, porque para Aragão “a poesia deve ser tomada por todos os sentidos” como um “jogo encantatório” (Visopoemas, 1965).

Assim se parecia operar aquele efeito especial da linguagem, da poesia, encontrada como se diluída no desenho de um mapa de uma cidade estrangeira (quase ilegível), um lugar encontrado por entre jornais, telegramas, folhetos, anúncios, em qualquer uma das matérias comuns da vida. “Táctil”.

Nos dias deste novo século, entre e-mails e portais, onde pousaremos lápis e canetas? Escrevemos por ‘correio electrónico’ (imaterial, sem peso ou matéria, que dispensa uma caixa de madeira) e já pouco nos lembramos do cavalo e do mensageiro dos CTT nos envelopes, que hoje cedeu lugar às cores da prioridade da correspondência (azul, verde). Vermelhos só os marcos do correio (lugares a que pouco frequentemente entregamos palavras).

In memoriam, recordemos, com Aragão, um telegrama. “TELEGRAMANDO” (Suplemento Especial do Jornal do Fundão, 24/01/1965).


(continua)

Por Diana Pimentel
dp@uma.pt
in Diário de Notícias, Funchal: Revista mais
24 a 30 de Agosto de 2008, pp. 18-19

sábado, 6 de setembro de 2008

« Um telegrama no ‘ecrã’, ao ralenti »

1964-1966. Em maiúsculas e em minúsculas, em letra manuscrita ou de imprensa. Com cola Cisne, tesoura, canetas e marcadores (também a cores) e fragmentos dos jornais, palavras e imagens dos dias (alguns ainda comuns aos nossos tempos), pelo acaso e a favor do imprevisto, assim se fez (e talvez, quem sabe?, continue a acontecer) a Poesia Experimental. Mais do que um movimento, este parece ter sido um acontecimento que ainda hoje nos permite perguntar de que matéria e para que efeito se faz poesia (ou arte) e, sobretudo, como (e onde) nos toca (se a olhamos).

No primeiro volume da revista Poesia Experimental, que teve organização de António Aragão e de Herberto Helder, editado em Lisboa no mês de Abril de 1964, escrevia António Aragão: “E, agora, nos nossos dias, [a poesia] foi arrebatada pelos sentidos: poesia visual, auditiva e táctil. Fez-se também respiratória.” Serão estes ainda os nossos dias? No mesmo volume, acrescentava Herberto Helder: “A superação do caos exprime-se pelo encontro de uma linguagem. É na linguagem que a experiência se vai tornando real. Sem ela não há uma efectiva imagem do mundo”.

Quarenta anos depois, como se nos revela esta ‘imagem do mundo’? De que se faz a nossa experiência? Lembremo-nos dos nossos ecrãs (o da televisão, o do computador) que nos devolvem factos quotidianos (vídeos, textos, imagens, um sem número de ‘janelas’ abertas sobre o mundo): estamos perante rodapés em sentido inverso ao da nossa leitura, (tantas) imagens em sobre-exposição, um rosto que nos olha (de frente, como se nos conseguisse observar), um fundo sonoro que (pouco) se assemelha a uma ordenação de freses e de factos (de que nos lembramos quando acaba?). O que reteremos deste (caótico) presente (que entretanto passou)? Uma imagem (quase) desfocada, demasiado veloz, o mundo numa tela contínua que a nossa memória não guarda. Sim, os sentidos são-nos “arrebatados”, como há quatro décadas anteviu António Aragão. Deste nosso ponto de vista (o “caos” olhado por Herberto) parece faltar-nos memória, linguagem, mundo, prazer (a poesia?). “Táctil”, escreveu.

Mas onde a encontrar? A solução parece ser-nos dada pelo próprio poeta, precisamente no primeiro número da revista Poesia Experimental. Nesse volume são editados dois “casos” a que o poeta chamou “Poesia encontrada”, construídos a partir de notícias de jornal: os poemas (como explica o poeta e artista plástico, ofícios sobretudo aqui inseparáveis) “foram tomados de improviso na descoberta do olhar”. Olhemos o segundo deles.

(continua)

Por Diana Pimentel
dp@uma.pt
in Diário de Notícias, Funchal: Revista mais
24 a 30 de Agosto de 2008, pp. 18-19


sexta-feira, 5 de setembro de 2008

'Arte Com Vinho Madeira'

“Reservatório de Memórias” por Rita Rodrigues
(Clicar para aumentar)

Desde ontem que decorre no Funchal uma iniciativa de promoção do Vinho Madeira. Integrada no programa da 'Festa do Vinho', pretende difundir a diversidade e qualidade deste produto regional junto de madeirenses e turistas.

A responsabilidade é do Instituto do Vinho, do Bordado e do Artesanato da Madeira (IVBAM) e, entre outras iniciativas, inclui provas de 'Madeira' num espaço decorado a rigor com peças vitivinícolas e objectos etnográficos da região, bem como um espaço desafio aos artistas regionais intitulado 'Arte Com Vinho Madeira'. Assim, na placa central da Avenida Arriaga, em frente ao Jardim Municipal, mais de uma dezena de reconhecidos artistas madeirenses expõem as suas obras de arte inspiradas em barris de vinho.

Deste elenco, faz parte a artista plástica Rita Rodrigues, amiga e colaboradora da Companhia, com o seu trabalho “Reservatório de Memórias”, que, nas palavras da Autora remonta "à prosperidade económica da Ilha da Madeira quando o vinho era de facto a principal fonte de riqueza da economia madeirense."

"Aqui fica uma PIPA, corpo físico, como símbolo do passado assente numa economia agrícola e próspera. Envolve a pipa um UMBIGO e no seu oposto composicional uma PORTA: a primeira forma reporta-se à ligação umbilical do homem à terra (à vida), e a segunda, à entrada e saída dos homens, nacionais e estrangeiros, que chegaram (e chegam) e partiram (e partem), sempre em torno de uma forma redonda que obriga o retorno ao lugar de origem – à ilha (e à MULHER) que acolhe e abraça a história das gentes e dos lugares", pode se ler na memória descritiva do seu trabalho.

Está em exibição até ao próximo domingo, dia 7 de Setembro.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Proposta de Dinamização

(Re)Encontro com António Aragão



1) Etapas de preparação do trabalho

Junho e Julho

• Contextualização cultural e artística;

• Preparação dramatúrgica;

• Apreciação da obra de António Aragão, através de:
  • - leituras
  • - encontros literários
  • - depoimentos
  • - pesquisas
  • - outros meios

Setembro, Outubro e Novembro

• Período de ensaios para a peça Desastre Nu, de António Aragão – obra incluída no Plano Regional de Leitura.

• Ciclo de conferências
  • - vida e obra de António Aragão;
  • - poesia portuguesa contemporânea: poesia Visual e Experimentalismo;
  • - relação simbólica e expressiva imagem/texto e texto/imagem
• Workshop com o ilustrador António Jorge Gonçalves

• Acção de formação para Professores dos grupos 200, 300 (Língua Portuguesa) e 600 (Artes Visuais) e outro público interessado

• Apresentação do espectáculo Desastre Nu - um espectáculo de intervenção, num espaço interventivo: Centro das Artes Casa das Mudas

2) Locais de apresentação e dinamização das actividades:
  • - Centro das Artes Casa das Mudas.
  • - Outros espaços a confirmar

3) Datas de realização das actividades
  • Novembro de 2008

4) Professores responsáveis pela coordenação, e realização do Projecto
  • Maria José Costa, Presidente da Associação;
  • Maria da Conceição Gonçalves, Vice-Presidente da Associação;
  • Sandro Nóbrega, Secretário da Associação.
  • Rita Rodrigues (Coordenadora do ciclo de conferências)


terça-feira, 26 de agosto de 2008

António Aragão: o génio não morreu

Pintor, escultor, historiador, investigador, escritor e poeta, António Aragão foi dos vultos maiores da cultura portuguesa, na última metade do século passado até aos dias da sua morte física, acontecida há pouco mais de uma semana.

Madeirense, nascido em S. Vicente em 1921, cedo quebrou as barreiras do isolamento geográfico para alcandorar-se aos palcos académicos e depois ganhar, com elevado mérito, estética, arte e técnica, um lugar de vanguarda na cultura portuguesa.

Homem de criatividade rica, irrequieto, polémico, inconformado, por vezes excêntrico até, deixou a sua marca pessoal indelével por onde passou. Era difícil não dar por ele quando metia mãos à obra, quer fosse na investigação da história e da etnografia, quer quando esculpia, pintava ou escrevia. A proporção do acervo que legou a Portugal, e em particular à Madeira, é muito mais rico, em quantidade e qualidade, do que o reconhecimento e merecimento que devia ter recebido da Região e do país. Desse ponto de vista, ainda está por fazer-se a verdadeira homenagem a António Aragão.

António Aragão nasceu na Madeira, em S. Vicente, a 22 de Julho de 1921. Faleceu no Funchal a 11 de Agosto de 2008. Licenciado em Ciências Históricas e Filosóficas pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e em Biblioteconomia e Arquivismo pela Universidade de Coimbra. Estudou Etnografia e Museologia em Paris, sob a orientação do Director do Conselho Internacional de Museus da UNESCO. Cursou no Instituto Central de Restauro de Roma, onde se especializou em restauro de obras de Arte e estagiou no laboratório de restauro do Vaticano. Foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian em Paris e Roma.

Foi director do Arquivo Distrital do Funchal, hoje Arquivo Regional da Madeira.

Como investigador da História da Madeira, publicou: Os Pelourinhos da Madeira. Funchal. 1959; O Museu da Quinta das Cruzes. Funchal, 1970; Para a História do Funchal - Pequenos passos da sua memória. Fx. 1979; A Madeira vista por estrangeiros, 1455-1700. Funchal. 1981; As armas da cidade do Funchal no curso da sua história. Funchal. 1984; Para a história do Funchal - 2ª Edição revista e aumentada. Funchal. 1987; O espírito do lugar. A cidade do Funchal. Lisboa. 1992.

Dos estudos realizados destaca-se as escavações no lugar do Aeroporto, onde se erguia antes o Convento quinhentista de Nª Sra da Piedade, Santa Cruz, 1961.

Das escavações feitas resultou o levantamento da planta geral deste Convento Franciscano e o estudo das suas características tipológicas, além da exumação de variado espólio, do qual se destaca grande diversidade de padrões de azulejaria hispano-mourisca ou mudéjar, proveniente do Sul de Espanha, e também múltiplos exemplares de azulejaria portuguesa seiscentista e de setecentos, assim como elementos primitivos em cantaria lavrada – portais do convento, janelas, arco triunfal da igreja, condutas de águas, lajes tumulares, pavimentos, hoje depositado nos jardins da Qta Revoredo, Casa da Cultura de Sta Cruz,

Todos os trabalhos foram devidamente documentados com plantas rigorosas, desenhos e fotografias. Este trabalho encomendado pela Junta Geral do Distrito do Funchal foi entregue nesta Instituição e, por sua vez, na época, depositado, em parte, no Museu Quinta das Cruzes.

Na área da etnografia efectuou recolhas ao nível da música tradicional da Madeira e do Porto Santo, em 1973, em co-autoria com o professor e músico Artur Andrade, com divulgação em 2 discos L.P.,em 1984.

Na área da literatura participou em acções colectivas, antologias, e outras manifestações significativas: Poesia experimental, 1964 e 1965. (revista de que é co-fundador); Visopoemas, 1965; Ortofonias (com E.M. Melo e Castro), 1965; Operação I. 1967; Hidra I. 1968; Hidra 2. 1969; Antologia da Novíssima Poesia Portuguesa. 1971; Antologia da Poesia Concreta em Portugal. 1973; Antologia da Poesia Visual Europeia. 1976; Antologia da Poesia Portuguesa. 1940-1977. 1979; Antologia da Poesia Surrealista em Portugal; OVO/POVO. 1978. Lisboa e 1980, Coimbra; PO.EX. 80. Galeria Nacional de Arte Moderna, Lisboa, 1980 e 1981; Filigrama. (Revista de expansão internacional). Co-fundador. 1981, Funchal; Líricas portuguesas. Antologia. 1983; Poemografias. 1985; I Festival Internacional Poesia Viva. 1987, Figueira da Foz; Poesia: outras escritas, Novos suportes. 1988, Setúbal; Electroarte. Vala Comum. Lisboa. 1994.

A nível internacional realça-se a sua participação em Sevilha, 1980; em 1982, Itália e Brasil; 1983, Cuenca; 1984, Comuna de Milão, Itália; 1984, São Francisco, U.S. A. e Bacelona; 1985, Israel e New York; 1986, México e Sevilha; 1987, México e França; 1989, Itália e Paris; 1990, Siegen, Alemanha, México e Washington. U.S.A.; e 1992, Madrid.

Colaborou em diversas manifestações de Mail-Art and Exchange, divulgando os seus trabalhos em revistas da especialidade.

Escreveu no Comércio do Funchal; Línea Sud. Nápoles; Letras e Artes. Lisboa; Express; Colóquio-Artes/Fundação C. Gulbenkian; Diário de Notícias, Lisboa; Comercio do Porto; Espaço Arte. I.S.A.P.M. e DN-Funchal;

Na ficção destaque para: Romance de Izmorfismo, 1964; Um buraco na boca, 1971; Os 3 Farros (com Alberto Pimenta), 1984; Textos do Apocalipse, 1992.

Na área da poesia referência para: Poema primeiro, 1962; Folhema I e Folhema 2, 1966; Mais excta mente p(r)o(bl)emas, 1968; Poema azul e branco, 1971. Os Bancos, 1975; Poesia espacial POVO/OVO (áudio-visual), 1977; Matenemas, 1981; Pátria, Couves, Deus, etc, 1982; Joyciaba. In Joycina, 1982.

Para teatro escreveu o Desastre NU, em 1980, que foi Prémio Nacional.

Como artista plástico destacou-se tanto na pintura como na escultura. Na área da escultura realce para a Santa Ana, em cantaria rija, na Câmara Municipal de Santana, 1959; o Padrão / monumento alusivo ao V centenário da morte do Infante D. Henrique (vulgo “Pau de Sabão”), escultura em cantaria rija, integrada no projecto do arquitecto Chorão Ramalho, Porto Santo, 1960; Baixos–relevos, 2 painéis em cerâmica policroma, alusivos á faina marítima e à actividade agrícola. Mercado Municipal de Santa Cruz. 1962.

Na área da pintura tornou-se conhecido desde a década de 40, pelas diversas temáticas abordadas e exploração de técnicas diferenciadas. Realizou várias exposições em Portugal (Galeria Divulgação, Quadrante, Galeria III, Galeria Diferença, Fundação Calouste Gubenkian – II Exposição de Pintura Portuguesa) e no estrangeiro – Espanha (Madrid, Sevilha, Barcelona); México, França (Paris); Itália (Roma e Turim) encontrando-se representado em colecções particulares e oficiais em vários países.

As últimas duas exposições individuais de António Aragão foram realizadas na Madeira, ambas comissariadas por António Rodrigues

A primeira, em Abril de 1996, na Casa da Cultura de Santa Cruz, integrou 16 dos últimos quadros concebidos pelo artista na sua galeria “Vala Comum”, em Lisboa, e uma selecção retrospectiva de 13 trabalhos, em diferentes técnicas, realizados nas décadas de 50 e 60 do Sáculo XX.

A segunda, Exposição Retrospectiva organização do Cine-Forum do Funchal, teve lugar na “Casa da Luz”, no Funchal.

António Aragão concretizou um projecto artístico contemporâneo baseado em novas tecnologias, numa casa que lhe pertenceu, situada à Rua do Meio à Lapa, 75-A r/c, em Lisboa. O projecto enquadrava uma “associação de educação popular” denominada “ARA-VALA COMUM”. Concessão do MECENATO pela Secretaria de Estado da Cultura.

ANTÓNIO JORGE PINTO
"in" Tribuna da Madeira
(Edição n.º 463, de 22/8 a 28/8)



sábado, 17 de maio de 2008

"De Volta"


De volta! (Ah! Ah!!)

Pois, pois... Já pensavam que não havia novidades. Aposto que já estavam convencidos que, terminado o “Sonho”, estávamos parados e que as aventuras tinham terminado. Deixem então que vos informe do seguinte: estais redondamente enganados!

O primeiro passo, depois da experiência intensa que foi “Sonho de uma noite de verão” de Shakespeare, seria arrumar a casa. E assim foi. Lá fomos nós – bem, pelo menos os mais corajosos (hi hi hi) – para o Imaculado Coração de Maria, no dia 19 de Abril, verificar material, seleccionar o que fica e o que vai, arejar roupas e fatos, verificar inventários, sacudir mantos, arrumar flores e mais flores e mais flores...

Até leituras improvisadas tivemos, sempre com boa disposição (e com um e outro “atchim” pelo meio).

E mais novidades se aproximam... estejam atentos.

Sandro Nóbrega

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Sessão de Video

A todo o elenco,

Próximo dia 21 de Maio, quarta-feira, pelas 19 horas, procederemos à visualização do DVD da peça "SONHO DE UMA NOITE DE VERÃO". A reunião geral acontecerá a partir das 18h30, na porta principal da Escola Secundária Francisco Franco.


ATÉ QUARTA!!!


ASSOCIAÇÃO COMPANHIA CONTIGO TEATRO
www.contigoteatro.com
geral@contigoteatro.com


quinta-feira, 13 de março de 2008

Tributo ao "Sonho"

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(Execução: Mónica Trindade)

Há sonhos que não deviam acabar… mas lá estamos nós de volta à realidade, depois de um acordar de um “Sonho” que se prolongou por mais de três meses. Ficam os pormenores, os cheiros e sabores, as sensações que tivemos e que para sempre queremos recordar. Com o passar do tempo, essas lembranças esbatem-se, ficam impressões que, por vezes, nem sabemos definir nem descrever. Mas este foi um “Sonho” especial. Foi um sonho que uniu quase trinta pessoas numa “noite de verão” em pleno mês de inverno.

Foram muitas horas de trabalho, muito esforço, mas também de alegre convívio e serena amizade, onde nos apoiámos mutuamente, onde partilhámos tudo e juntos construímos um “sonho” do qual não queríamos acordar. Música, dança, coreografias, figurinos e guarda-roupa, marcações… tudo para que o trabalho final fosse do agrado de um público já fiel e para o qual continuámos a criar e com o qual mantemos viva esta paixão e este amor pelo Teatro.

Diariamente, durante 10 sessões, demos o nosso melhor, festejámos cada triunfo, gelámos em cada falha e em cada branca, apoiámos os maus momentos e estivemos sempre presentes nos bons. É assim o Teatro, é assim a vida.

Terminou o "SONHO", mas não vamos deixar esquecer e esbater as recordações que nos deixou. Hoje, somos definitivamente pessoas mais ricas, pois o “Sonho de uma noite de verão” já ninguém nos tira. SN

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Trailer

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Trailer promocional de "SONHO DE UMA NOITE DE VERÃO", de William Shakespeare (versão Hélia Correia), pela Contigo Teatro.

Concepção: Luis Miguel Rosa

O "Sonho..." sobe hoje ao Palco!


E finalmente chegou o dia para que toda a Companhia tem vindo a se preparar nestes últimos meses. Agora é a doer e já nada mais há a fazer que dar o melhor espectáculo do mundo. O grupo está a postos. Vamos arrasar. Não perca. Venha ver-nos no Teatro Municipal Baltazar Dias.