quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Relato do Dia - Diogo

30/01/2008

Eu, alguém que agarra oportunidades, poucas, mas muitas (importante para mim)! Esta é uma delas, grande, mas pequena num mundo como este, que para mim é mais do que aquilo que queria. Que excelente encenador, nunca conseguiria ser como ele! Admiro tanto o seu talento para o teatro, ele é um mestre. Será que ele é um Deus? Consegue entranhar-se nas personagens todas! Nunca vi tal coisa!

Estou a adorar participar nesta peça da Contigo Teatro, rodeado de gente bonita e colaboradora. Ajudaram-me imenso com os vossos conselhos de actor, obrigado! Continuo a fazer os possíveis para poder melhorar ainda mais a minha personagem (Atarrachado). Os ensaios são muito puxados, mas sinto-me tão bem no fim de cada ensaio... Tenho a certeza que vai correr tudo bem, estou confiante.

Diogo Franco
"Atarrachado"


Diário do Encenador

30/01/08

“… A afinação parece não ter mais fim…”

Gostei. Hoje gostei muito da actuação de alguns actores. Observei alguma evolução da parte de outros, mas ainda temos de harmonizar. Todos devem estar excelentes em cena.

Consegui fazer um ensaio como deve ser. Primeiro, interrompi em momentos críticos. Depois, passei sem parar, ou quase, pois um actor resolveu interromper para voltar atrás a fala que tinha errado e justamente num momento em que tudo estava a ser cronometrado. Disse-lhe apenas que quem interrompe o que quer que seja, principalmente agora, sou eu e mais ninguém. Tentei ser o mais calmo possível e até acabei por achar graça pela inexperiência e preocupação dele com o próprio desempenho, mas não era o momento certo, já passámos dessa fase… Enfim… Fora o ocorrido, o resto do ensaio continuou muito bem, mas ainda teve outros tropeços preocupantes que devem deixar de existir brevemente.

A cena do terceiro acto está a durar 35 minutos, já chegou a durar muito mais, o ideal será 30 minutos, portanto falta pouco.

… Hmmm… Limonete… fazia tempo que não bebia isso… Bom…

A coisa que eu mais detesto é assistir um espectáculo chato, portanto luto contra isso quando estou a encenar. Um espectáculo deve comunicar de forma eficiente, passar a mensagem ou as mensagens de forma limpa. Hoje vivemos uma época de velocidades, toda a informação é obtida de forma rápida, em flashes, e o Teatro, como meio de comunicação, de intervenção e de elevação cultural, deve adaptar-se aos nossos tão “globalizados” dias. Ele nunca poderá competir com a TV, Cinema ou Internet, mas sim estar e trabalhar junto com esses fabulosos meios de transmissão de ideias e conhecimentos. Portanto, preocupa-me quando um espectáculo tende ultrapassar mais que uma hora e trinta minutos.

Bem, por hoje chega.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Relato do Dia - Diana

29/01/2008

Depois de toda a loucura do ''Despertar da Primavera'', cá estamos de novo com uma versão adaptada da obra de Shakespeare, ''Sonho de uma noite de Verão''! Costuma dizer-se que quem corre por gosto não cansa... É verdade! Desde que comecei a fazer teatro, a ''paixão'' foi crescendo e nunca mais consegui parar.

Se bem que esta peça tem sido um grande desafio para mim... fazer de fada, tudo bem! Cantar? Óptimo! Agora... Dançar?? Meu Deus! A expressão corporal nunca foi o meu forte, mas felizmente temos as fadas bailarinas que dançam maravilhosamente! Aliás, todo o espectáculo ''puxa'' o maravilhoso, o mágico...

A princípio parecia-me mais uma peça infantil que outra coisa qualquer, mas se há coisa que o Marco me ensinou, foi a ter fé no projecto! E agora, que o espectáculo vai ganhando forma, começo a perceber a ''visão'' no seu todo e a antever duas horas mágicas, com cenários floridos, personagens fantásticas e imagens ricas que vão ficar na memória de todos os que assistirem ao espectáculo!!

Em relação ao elenco, começa a notar-se a união própria de um grupo de pessoas que todas as noites trabalham juntas para conseguir montar um espectáculo que é tão cheio de pormenores, são todos muito simpáticos e talentosos! O Marco tem sido uma grande ajuda para todos nós, acho que ele sozinho conseguia fazer a peça inteira, interpretando todas as personagens!

Resumindo, é uma peça alegre, sem dramas nem frases difíceis. É um espectáculo que vai fazer sonhar, rir e voltar à infância, onde o mundo das Fadas e dos Duendes era real!

Diana Duarte
"Fada Flor de Ervilheira"

Diário do Encenador

29/01/08

“Contínuas afinações”

Hoje foi um ensaio, novamente cheio de afinações, paragens e repetições. O maior problema tem sido harmonizar a interpretação dada às personagens pelos actores. Alguns registam as dicas de como falar o texto, em determinada cena, de uma forma específica e pensam que se mantiverem o mesmo raciocínio, durante o resto da cena, farão bem. O que o actor tem de pensar é que a personagem, assim como uma pessoa, muda de pensamento constantemente de acordo com o que se passa à sua volta, portanto as inflexões ou modulações da voz alteram-se consoante as emoções.

Um texto pode ser dito de maneira bem clara e articulada, mas se nele não contiver o “subtexto”, pouco comunicará ao público ouvinte.

E assim decorreu o ensaio com algumas, “ainda e chatas”, desconcentrações. Até tive de interromper tudo, sair da sala e fumar um cigarro, para não ter que gritar com alguns elementos. Ainda bem que perceberam e assim que regressei, as coisas já estavam compostas.

Quando chegou o momento de passar tudo novamente, outra chatice, tinha de acabar com o ensaio devido o adiantado da hora… Frustração total… Respirei fundo, engoli em seco e dei por encerrado o dia.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Relato do Dia - Mónica Trindade

27/01/2008

Pela segunda vez cá me encontro na escrita do relato do dia. Desde então as coisas tomaram uma visão diferente. Posso dizer que ao longo deste tempo, as pessoas amadureceram um pouco mais, e que aos poucos vão tomando consciência que o tempo é escasso e que há muita coisa que neste momento já não devia acontecer...

Foi um ensaio corrido, com todo o elenco presente (o que nao é nada normal... ehehe), havendo um pequeno intervalo para que fossem tiradas medidas para os fatos de alguns actores... tira dali, mede acolá, veste isto e muda aquilo e num instante... "todos para o palco..."! Ehehe... pois... mas aí... aconteceu-me algo que é daquelas coisas que já não deveriam acontecer que mencionei anteriormente. Que de forma alguma poderá continuar a persistir em nós, que é a incontrolável sensação do riso. Não é que tudo nos faça rir, já controlamos muito mais... mas são certas atitudes, certos senãos, uma marcação inexistente, uma careta anormal, um avanço a mais, sei lá... poderão existir mil e umas coisas mas que jamais nos poderão levar à desconcentração total e isso foi o que me aconteceu ontem, quando sabemos bem que não é uma cena fácil, e que nos temos de entregar verdadeiramente e sentir aquilo que nos é dito como impulso para o que dizemos a seguir. Sim... não foi facil... um riso gera outro, e é o suficiente para que se instale a desconcentração dos actores que estão nesse momento em palco, e para que a cena não possa avançar.

Olhei para o nosso paciente encenador... como é logico... já estava “fulo da vida”... ehehe!... e com toda a razão.. não nos podemos dar ao luxo de neste momento nos desconcentrarmos quer fora quer em cima de palco, de faltarmos aos ensaios só porque nos apetece ou porque estamos cansados (foi dito no inicio de tudo que não iria ser facil... e nós que já estamos habituados, sabemos bem que não é, e que é preciso ter mesmo o diabo no corpo... amar o teatro de corpo e alma, para aguentarmos este ritmo ate ao fim); de estarmos constantemente na brincadeira em bastidores; de nunca sabermos quando é que entramos em cena e ser preciso que nos chamem a toda a hora; de perder características da personagem já criada por nós... etc, etc, etc...

Eu, por amar aquilo que faço, apesar de não fazer do teatro a minha vida (quem me dera...) tento de todas as formas subir ao palco com a energia que me esperam, porque eu sei que de mim também depende o bom desempenho dos meus colegas, e é isso que temos de pensar. Não podemos somente pensar em nós, individualmente, porque em cima de palco estamos com mais actores que de nós esperam ao menos algum respeito, empenho e determinação. Isto foi algo que fui aprendendo ao longo das peças que realizei na Contigo Teatro. Sim... somos amadores... mas amamos simplesmente o que fazemos e fazemo-lo com muito gosto!

Da minha parte, penso que a "Hérmia" já existe, e de dia para dia está cada vez mais dentro de mim. A partir de agora, vejo-me com uma personagem criada que ainda necessita de muitas melhorias... não me posso deixar ficar... terei de encontrar alguma inflexão perdida, alguns movimentos que a possam ajudar, explorar ainda mais algumas sensações... Ou seja, até à data, um actor nunca pode parar... nunca deixar morrer a personagem mas sim elevá-la com um sorriso, com uma expressão, com um sentimento, com algo que achemos que possamos adicionar para que fique em harmonia...

Gostava de aqui agradecer o apoio, principalmente do meu “tesouro Lisandro”. Penso que a nossa ligação começa a dar frutos e que estamos no caminho certo... e a outras pessoas que nem preciso dizer o nome pois sabem que são sempre importantes para mim nesta caminhada...

A todos os jovens que iniciaram aqui, quem sabe, uma nova vida, peço-lhes que somente deixem fluir o que existe dentro de vós, que aquela garra de adolescente venha ao de cima, e que se entreguem completamente por mais um mês. Porque esta peça só será possivel com a união que é fundamental nestes trabalhos... com a união Contigo Teatro!!!

Chegado o ensaio ao fim era visível o cansaço... as pernas doridas da dança que a nossa estimada coreógrafa nos ensinou no dia anterior... aiiiiii doí tudo... mas o esforço e dedicação ao qual nos propomos tem sempre no final um efeito gratificante em nós. E é isso que me faz continuar...

A todos... mãos à obra que o caminho é para a frente!! Bom trabalho!

Mónica Trindade
"Hérmia"

Diário do Encenador

27/01/08

“Delicados momentos”

… Tenho-me descurado de ti, meu querido diário…Perdão, mas as ocupações são muitas, principalmente as mentais…

Passámos a peça toda… Enfim.

Por mim não fazíamos intervalo, mas o elenco necessitou, ou melhor, solicitou que se fizesse um intervalo e a produção deu voz ao pedido. Não costumo concordar, mas cedi, também era necessário tirar medidas dos homens, então “fita métrica neles”. Na verdade, foi necessário um momento com a modista e a figurinista. É claro que futuramente não faremos intervalos e, meus queridos actores, preparem-se, pois essa é a ultima semana de “ensaios em escalas”. Nos próximos, tudo será passado do começo ao fim sem intervalos… Temos de acostumar com o tempo do espectáculo e dar a ele o ritmo certo...

As coisas com a produção estão a caminhar, esta semana vou ver os painéis e outros elementos do cenário que já estão prontos.

Hoje (28/01) foi o dia de supervisionar, junto com a figurinista, os tecidos das roupas dos seres do “Povo das Fadas”.

Estamos quase a conseguir, os actores mais atrasados com o trabalho começam a alcançar os mais adiantados. Tudo tem de estar no mesmo nível, ou seja, devem harmonizar-se na interpretação das personagens.

Alguns ainda “tropeçam” e “atrapalham-se” nas cenas finais, mas nada que não se resolva com os ensaios que temos… Todos devem estar muito seguros, em “alerta máximo” durante todo tempo que durar os ensaios, preparações e adaptações quando estivermos no Teatro, pois, inicialmente, eu não lhes darei tanta atenção como agora. Tenho de observar o espectáculo na sua totalidade, com luz, som, tempos de entradas e saídas, etc… Para além dos actores, tenho de preocupar-me com o pessoal técnico nos bastidores… Ai!...

Ah…A beleza do momento que precede a primeira fala… Mas, silêncio… Calemo-nos, há que guardar silêncio…Os actores estão preparados para representarem os seus papéis… Calemo-nos… Devemos respeitar todo o ritual… Calemo-nos…Porque esta noite, é noite de estreia, e a Função vai começar… Agora mesmo…

domingo, 27 de janeiro de 2008

Relato do Dia - Nuno R.

26/01/2008

Sou eu, desta vez “ the chosen One”, que não é bem o mesmo que, “the special One”. Quero com isto dizer que foi a mim, a quem atribuíram a honra (mas também a responsabilidade) de partilhar com vocês os momentos vividos na preparação desta produção.

Ao chegar, tenho logo direito a uma “entrada” digna de prato principal, as fadinhas ensaiam as suas danças com Traquinas. A coreógrafa coordena as suas pupilas, o encenador aprova deslumbrado. Não é para menos, o momento é sublime.

O tempo, esse ingrato, não dá tréguas. Está na de hora de recomeçarmos do ponto em que ficamos na véspera. Antes disso, tempo para o “xixi”. Pegamos na peça de onde a deixamos. “Sem paragens.”-diz o Marco. Não há tempo a perder. E assim é. O ensaio decorre sem parar (ou, quase sem parar). Nesta altura já não há lugar para os erros, que eventualmente acontecem devido a recentes alterações.

Chegamos ao momento da actuação dos artesãos e assim, temos de novo a Xinha a coreografar o elenco. Primeiro os nobres, depois os artesãos-actores. Dançamos cheios de entusiasmo e alegria. Está na hora de libertar energias. O momento é de grande descontracção e regozijo. Sinto-me tentado a parafrasear Vanessa Fernandes: “Faz bem ao corpo e liberta o espírito.”.

Segue-se o momento final da peça, afinámos as vozes e posteriormente ensaiámos o ordenamento dos actores para os agradecimentos finais. De novo, encenador e coreógrafa juntam-se para harmonizar a disposição do elenco. A simbiose uma vez mais acontece! Mas… falta o Filostrato. Depois se verá o seu lugar!

O ensaio acabou… A São quer falar com o elenco sobre o guarda-roupa. Primeiro as fadas, pois as “crianças” têm de ir embora -“Obrigado meninas”. De seguida, o resto do elenco. Entretanto chega o Mário André, traz os novos arranjos musicais. Como diria, Tom Peters: “It’s… show time! All the time!”.

Podeis vós, nobre público, conferir
Que a peça vos fará sentir encantadoras emoções,
Não vos desdenho tamanha fortuna,
Pois não me esqueço de que nos bastidores
Vivemos a magia de tal encanto.

Nuno Ribeiro
"Tomás Nuno Biquinho, o Muro"