sábado, 13 de setembro de 2008

O legado de António Aragão

António Aragão (1921-2008) já partiu. Mas a sua passagem pelo mundo dos vivos deixou uma marca indelével.

Historiador, poeta, romancista, contista, dramaturgo e pintor, o seu legado persiste entre nós, pronto a ser descoberto e reencontrado.

Do vasto espólio de António Aragão, algumas das suas obras e artigos estão disponíveis na Biblioteca Municipal do Funchal (no Palácio de São Pedro, Rua da Moraria, nº 31, de 2ª a 6ª feira das 10h00 às 19h00).

A saber:

- Estabelecimentos culturais do Funchal, in Panorama: revista portuguesa de arte e turismo, nº. 9, 2ª. Série, Lisboa 1954. pp. [48-49].

- “António de Carvalhal Esmeralda «Aonio»: desconhecido e inspirado poeta madeirense que viveu na época de seiscentos: o mais antigo manuscrito de poesia insular que se conhece”, in Das artes e da História da Madeira, Funchal, Sociedade de Concertos da Madeira, 1964. pp. 33-35.

- “Alguns tópicos para a classificação urbanística da Madeira”, in Islenha, nº 9, Funchal, DRAC, Jul.-Dez.1991, pp. 21-31

- Pelourinhos da Madeira, Funchal, Junta Geral do Distrito Autónomo do Funchal, 1959.

- O Museu da Quinta das Cruzes, Funchal, Junta Geral do Distrito Autónomo, 1970.

- A Madeira vista por estrangeiros: 1455-1700, Funchal, SRTC/DRAC, 1981.

- Para a história do Funchal: pequenos passos da sua memória, Funchal, SRTC/DRAC, 1979.

- Para a história do Funchal: 2ª. Edição revista e aumentada, Funchal, SRTC/DRAC, 1987

- Madeira: investigação bibliográfica, Funchal, Centro de Apoio de Ciências Históricas do Funchal, 1981 (co-autor com Gilda Dantas)

- As armas da Cidade do Funchal no curso de sua história, Funchal, SRTC/DRAC, 1984



- Um Buraco na Boca: romance, Funchal, Livros CF, 1971.

- Arquipélago: poesia, Funchal, Eco do Funchal, 1952.

- Desastre Nu: peça de teatro em quatro episódios, Lisboa, Ed. Moraes, 1981 (2º. Prémio do concurso de peças de teatro inéditas promovido pela Secretaria de Estado da Cultura).


Sites de Referência:
- Blog da Biblioteca Municipal do Funchal
- By The Way de César Figueiredo
- O Contrario do Tempo
- Passos na Calçada


domingo, 7 de setembro de 2008

« Um telegrama no ‘ecrã’, ao ralenti » III

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Numa folha fina (cuja textura poucos de nós lembrará, quase tão anacrónica como a dos aerogramas), o poeta cria um outro sentido – seu, manuscrito – sobre um suporte (um impresso comum por aqueles dias). Nas caixas pré-definidas (pelos ‘serviços’, naturalmente), em “destino” pode ler-se “mesmo”. Em “palavras” escreve-se “lavram palavras”. A “data” é “atada”. É um jogo de palavras, claro. Mas quantas palavras são? “Número”: “nu”. Talvez seja este o centro da questão, no fundo e no coração da experiência humana (entre o passado, o presente e o futuro) está a linguagem: a “hora de apresentação” é “H”, o “telefone” é “provisório”. O “texto e assinatura” endereçam-se a cada um de nós: “PRÉTERNURA PARATERNURA STOP”. Assinado: “TER NU TEU”. Assim ficou inscrito. Assim permanecerá, “TELEGRAMANDO”.

António Aragão é o poeta que nos ensina uma outra dimensão da linguagem, na letra e na forma de notícias em que se pode “dizer no mundo o amor de todas as coisas” ou na criação de um verbo (novo e nosso). Talvez seja (ainda) possível ‘telegramar’ para um outro de nós do outro lado de um qualquer ecrã ou tela e se possa, como se pede no poema, “repetir quantas vezes nos apetecer ou procurar cada vez mais outra maneira”: “ou porque corro o branco de me voltar para ti / na parte da cena de não te saber / ou então passo a fita ao ralenti para te sonhar” (Folhema 2, 1966). Olhe. Corte. Cole. Procure “cada vez mais uma outra maneira”. ‘Telegrame’. Assim vivem os poetas: “Paraternura”. Ao ‘ralenti’.

Por Diana Pimentel
dp@uma.pt
in Diário de Notícias, Funchal: Revista mais
24 a 30 de Agosto de 2008, pp. 18-19

« Um telegrama no ‘ecrã’, ao ralenti » II

Coladas, apagadas, riscadas, manuscritas, assim tomam lugar as palavras no papel. É um texto e um é desenho. Aqui a leitura é um exercício, uma tentativa (experimental, claro) que pede de nós, leitores, um lento mover do olhar e da atenção. Escolhamos alguns fragmentos (pode ‘recortar’ os seus com a ajuda de uma caneta… experimente, na ilustração encontrará uma forma de consentimento para este ‘delito’: “PARA MEXER”). Leio: “Uma vida que se pode dizer longa é imposta quotidianamente a pressões diferentes”. É um facto. Uma notícia inelutável.

Mas onde está a poesia? Dilua agora a atenção e distancie um pouco o olhar.

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Em letras maiores, separadas e distantes: “REVELA-SE EM DIZER NO MUNDO O AMOR DE TODAS AS COISAS” (encontrou?).

Na verdade, este não é um mas vários poemas, que “permite várias leituras, i.e., faz com que apareçam diversos poemas dentro do mesmo poema ou um poema ligado a outro ou uma outra poesia conseguida por diferentes articulações” (Poesia Experimental 1). Esse era o desejo do poeta, que se pudesse encontrar “a poesia encontrada desprevenidamente no que lemos todos os dias”, com a “colaboração do fruidor” (Poesia Experimental 1). Recriar, relendo, sublinhando e desenhando. Quase a brincar, porque para Aragão “a poesia deve ser tomada por todos os sentidos” como um “jogo encantatório” (Visopoemas, 1965).

Assim se parecia operar aquele efeito especial da linguagem, da poesia, encontrada como se diluída no desenho de um mapa de uma cidade estrangeira (quase ilegível), um lugar encontrado por entre jornais, telegramas, folhetos, anúncios, em qualquer uma das matérias comuns da vida. “Táctil”.

Nos dias deste novo século, entre e-mails e portais, onde pousaremos lápis e canetas? Escrevemos por ‘correio electrónico’ (imaterial, sem peso ou matéria, que dispensa uma caixa de madeira) e já pouco nos lembramos do cavalo e do mensageiro dos CTT nos envelopes, que hoje cedeu lugar às cores da prioridade da correspondência (azul, verde). Vermelhos só os marcos do correio (lugares a que pouco frequentemente entregamos palavras).

In memoriam, recordemos, com Aragão, um telegrama. “TELEGRAMANDO” (Suplemento Especial do Jornal do Fundão, 24/01/1965).


(continua)

Por Diana Pimentel
dp@uma.pt
in Diário de Notícias, Funchal: Revista mais
24 a 30 de Agosto de 2008, pp. 18-19

sábado, 6 de setembro de 2008

« Um telegrama no ‘ecrã’, ao ralenti »

1964-1966. Em maiúsculas e em minúsculas, em letra manuscrita ou de imprensa. Com cola Cisne, tesoura, canetas e marcadores (também a cores) e fragmentos dos jornais, palavras e imagens dos dias (alguns ainda comuns aos nossos tempos), pelo acaso e a favor do imprevisto, assim se fez (e talvez, quem sabe?, continue a acontecer) a Poesia Experimental. Mais do que um movimento, este parece ter sido um acontecimento que ainda hoje nos permite perguntar de que matéria e para que efeito se faz poesia (ou arte) e, sobretudo, como (e onde) nos toca (se a olhamos).

No primeiro volume da revista Poesia Experimental, que teve organização de António Aragão e de Herberto Helder, editado em Lisboa no mês de Abril de 1964, escrevia António Aragão: “E, agora, nos nossos dias, [a poesia] foi arrebatada pelos sentidos: poesia visual, auditiva e táctil. Fez-se também respiratória.” Serão estes ainda os nossos dias? No mesmo volume, acrescentava Herberto Helder: “A superação do caos exprime-se pelo encontro de uma linguagem. É na linguagem que a experiência se vai tornando real. Sem ela não há uma efectiva imagem do mundo”.

Quarenta anos depois, como se nos revela esta ‘imagem do mundo’? De que se faz a nossa experiência? Lembremo-nos dos nossos ecrãs (o da televisão, o do computador) que nos devolvem factos quotidianos (vídeos, textos, imagens, um sem número de ‘janelas’ abertas sobre o mundo): estamos perante rodapés em sentido inverso ao da nossa leitura, (tantas) imagens em sobre-exposição, um rosto que nos olha (de frente, como se nos conseguisse observar), um fundo sonoro que (pouco) se assemelha a uma ordenação de freses e de factos (de que nos lembramos quando acaba?). O que reteremos deste (caótico) presente (que entretanto passou)? Uma imagem (quase) desfocada, demasiado veloz, o mundo numa tela contínua que a nossa memória não guarda. Sim, os sentidos são-nos “arrebatados”, como há quatro décadas anteviu António Aragão. Deste nosso ponto de vista (o “caos” olhado por Herberto) parece faltar-nos memória, linguagem, mundo, prazer (a poesia?). “Táctil”, escreveu.

Mas onde a encontrar? A solução parece ser-nos dada pelo próprio poeta, precisamente no primeiro número da revista Poesia Experimental. Nesse volume são editados dois “casos” a que o poeta chamou “Poesia encontrada”, construídos a partir de notícias de jornal: os poemas (como explica o poeta e artista plástico, ofícios sobretudo aqui inseparáveis) “foram tomados de improviso na descoberta do olhar”. Olhemos o segundo deles.

(continua)

Por Diana Pimentel
dp@uma.pt
in Diário de Notícias, Funchal: Revista mais
24 a 30 de Agosto de 2008, pp. 18-19


sexta-feira, 5 de setembro de 2008

'Arte Com Vinho Madeira'

“Reservatório de Memórias” por Rita Rodrigues
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Desde ontem que decorre no Funchal uma iniciativa de promoção do Vinho Madeira. Integrada no programa da 'Festa do Vinho', pretende difundir a diversidade e qualidade deste produto regional junto de madeirenses e turistas.

A responsabilidade é do Instituto do Vinho, do Bordado e do Artesanato da Madeira (IVBAM) e, entre outras iniciativas, inclui provas de 'Madeira' num espaço decorado a rigor com peças vitivinícolas e objectos etnográficos da região, bem como um espaço desafio aos artistas regionais intitulado 'Arte Com Vinho Madeira'. Assim, na placa central da Avenida Arriaga, em frente ao Jardim Municipal, mais de uma dezena de reconhecidos artistas madeirenses expõem as suas obras de arte inspiradas em barris de vinho.

Deste elenco, faz parte a artista plástica Rita Rodrigues, amiga e colaboradora da Companhia, com o seu trabalho “Reservatório de Memórias”, que, nas palavras da Autora remonta "à prosperidade económica da Ilha da Madeira quando o vinho era de facto a principal fonte de riqueza da economia madeirense."

"Aqui fica uma PIPA, corpo físico, como símbolo do passado assente numa economia agrícola e próspera. Envolve a pipa um UMBIGO e no seu oposto composicional uma PORTA: a primeira forma reporta-se à ligação umbilical do homem à terra (à vida), e a segunda, à entrada e saída dos homens, nacionais e estrangeiros, que chegaram (e chegam) e partiram (e partem), sempre em torno de uma forma redonda que obriga o retorno ao lugar de origem – à ilha (e à MULHER) que acolhe e abraça a história das gentes e dos lugares", pode se ler na memória descritiva do seu trabalho.

Está em exibição até ao próximo domingo, dia 7 de Setembro.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Proposta de Dinamização

(Re)Encontro com António Aragão



1) Etapas de preparação do trabalho

Junho e Julho

• Contextualização cultural e artística;

• Preparação dramatúrgica;

• Apreciação da obra de António Aragão, através de:
  • - leituras
  • - encontros literários
  • - depoimentos
  • - pesquisas
  • - outros meios

Setembro, Outubro e Novembro

• Período de ensaios para a peça Desastre Nu, de António Aragão – obra incluída no Plano Regional de Leitura.

• Ciclo de conferências
  • - vida e obra de António Aragão;
  • - poesia portuguesa contemporânea: poesia Visual e Experimentalismo;
  • - relação simbólica e expressiva imagem/texto e texto/imagem
• Workshop com o ilustrador António Jorge Gonçalves

• Acção de formação para Professores dos grupos 200, 300 (Língua Portuguesa) e 600 (Artes Visuais) e outro público interessado

• Apresentação do espectáculo Desastre Nu - um espectáculo de intervenção, num espaço interventivo: Centro das Artes Casa das Mudas

2) Locais de apresentação e dinamização das actividades:
  • - Centro das Artes Casa das Mudas.
  • - Outros espaços a confirmar

3) Datas de realização das actividades
  • Novembro de 2008

4) Professores responsáveis pela coordenação, e realização do Projecto
  • Maria José Costa, Presidente da Associação;
  • Maria da Conceição Gonçalves, Vice-Presidente da Associação;
  • Sandro Nóbrega, Secretário da Associação.
  • Rita Rodrigues (Coordenadora do ciclo de conferências)


terça-feira, 26 de agosto de 2008

António Aragão: o génio não morreu

Pintor, escultor, historiador, investigador, escritor e poeta, António Aragão foi dos vultos maiores da cultura portuguesa, na última metade do século passado até aos dias da sua morte física, acontecida há pouco mais de uma semana.

Madeirense, nascido em S. Vicente em 1921, cedo quebrou as barreiras do isolamento geográfico para alcandorar-se aos palcos académicos e depois ganhar, com elevado mérito, estética, arte e técnica, um lugar de vanguarda na cultura portuguesa.

Homem de criatividade rica, irrequieto, polémico, inconformado, por vezes excêntrico até, deixou a sua marca pessoal indelével por onde passou. Era difícil não dar por ele quando metia mãos à obra, quer fosse na investigação da história e da etnografia, quer quando esculpia, pintava ou escrevia. A proporção do acervo que legou a Portugal, e em particular à Madeira, é muito mais rico, em quantidade e qualidade, do que o reconhecimento e merecimento que devia ter recebido da Região e do país. Desse ponto de vista, ainda está por fazer-se a verdadeira homenagem a António Aragão.

António Aragão nasceu na Madeira, em S. Vicente, a 22 de Julho de 1921. Faleceu no Funchal a 11 de Agosto de 2008. Licenciado em Ciências Históricas e Filosóficas pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e em Biblioteconomia e Arquivismo pela Universidade de Coimbra. Estudou Etnografia e Museologia em Paris, sob a orientação do Director do Conselho Internacional de Museus da UNESCO. Cursou no Instituto Central de Restauro de Roma, onde se especializou em restauro de obras de Arte e estagiou no laboratório de restauro do Vaticano. Foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian em Paris e Roma.

Foi director do Arquivo Distrital do Funchal, hoje Arquivo Regional da Madeira.

Como investigador da História da Madeira, publicou: Os Pelourinhos da Madeira. Funchal. 1959; O Museu da Quinta das Cruzes. Funchal, 1970; Para a História do Funchal - Pequenos passos da sua memória. Fx. 1979; A Madeira vista por estrangeiros, 1455-1700. Funchal. 1981; As armas da cidade do Funchal no curso da sua história. Funchal. 1984; Para a história do Funchal - 2ª Edição revista e aumentada. Funchal. 1987; O espírito do lugar. A cidade do Funchal. Lisboa. 1992.

Dos estudos realizados destaca-se as escavações no lugar do Aeroporto, onde se erguia antes o Convento quinhentista de Nª Sra da Piedade, Santa Cruz, 1961.

Das escavações feitas resultou o levantamento da planta geral deste Convento Franciscano e o estudo das suas características tipológicas, além da exumação de variado espólio, do qual se destaca grande diversidade de padrões de azulejaria hispano-mourisca ou mudéjar, proveniente do Sul de Espanha, e também múltiplos exemplares de azulejaria portuguesa seiscentista e de setecentos, assim como elementos primitivos em cantaria lavrada – portais do convento, janelas, arco triunfal da igreja, condutas de águas, lajes tumulares, pavimentos, hoje depositado nos jardins da Qta Revoredo, Casa da Cultura de Sta Cruz,

Todos os trabalhos foram devidamente documentados com plantas rigorosas, desenhos e fotografias. Este trabalho encomendado pela Junta Geral do Distrito do Funchal foi entregue nesta Instituição e, por sua vez, na época, depositado, em parte, no Museu Quinta das Cruzes.

Na área da etnografia efectuou recolhas ao nível da música tradicional da Madeira e do Porto Santo, em 1973, em co-autoria com o professor e músico Artur Andrade, com divulgação em 2 discos L.P.,em 1984.

Na área da literatura participou em acções colectivas, antologias, e outras manifestações significativas: Poesia experimental, 1964 e 1965. (revista de que é co-fundador); Visopoemas, 1965; Ortofonias (com E.M. Melo e Castro), 1965; Operação I. 1967; Hidra I. 1968; Hidra 2. 1969; Antologia da Novíssima Poesia Portuguesa. 1971; Antologia da Poesia Concreta em Portugal. 1973; Antologia da Poesia Visual Europeia. 1976; Antologia da Poesia Portuguesa. 1940-1977. 1979; Antologia da Poesia Surrealista em Portugal; OVO/POVO. 1978. Lisboa e 1980, Coimbra; PO.EX. 80. Galeria Nacional de Arte Moderna, Lisboa, 1980 e 1981; Filigrama. (Revista de expansão internacional). Co-fundador. 1981, Funchal; Líricas portuguesas. Antologia. 1983; Poemografias. 1985; I Festival Internacional Poesia Viva. 1987, Figueira da Foz; Poesia: outras escritas, Novos suportes. 1988, Setúbal; Electroarte. Vala Comum. Lisboa. 1994.

A nível internacional realça-se a sua participação em Sevilha, 1980; em 1982, Itália e Brasil; 1983, Cuenca; 1984, Comuna de Milão, Itália; 1984, São Francisco, U.S. A. e Bacelona; 1985, Israel e New York; 1986, México e Sevilha; 1987, México e França; 1989, Itália e Paris; 1990, Siegen, Alemanha, México e Washington. U.S.A.; e 1992, Madrid.

Colaborou em diversas manifestações de Mail-Art and Exchange, divulgando os seus trabalhos em revistas da especialidade.

Escreveu no Comércio do Funchal; Línea Sud. Nápoles; Letras e Artes. Lisboa; Express; Colóquio-Artes/Fundação C. Gulbenkian; Diário de Notícias, Lisboa; Comercio do Porto; Espaço Arte. I.S.A.P.M. e DN-Funchal;

Na ficção destaque para: Romance de Izmorfismo, 1964; Um buraco na boca, 1971; Os 3 Farros (com Alberto Pimenta), 1984; Textos do Apocalipse, 1992.

Na área da poesia referência para: Poema primeiro, 1962; Folhema I e Folhema 2, 1966; Mais excta mente p(r)o(bl)emas, 1968; Poema azul e branco, 1971. Os Bancos, 1975; Poesia espacial POVO/OVO (áudio-visual), 1977; Matenemas, 1981; Pátria, Couves, Deus, etc, 1982; Joyciaba. In Joycina, 1982.

Para teatro escreveu o Desastre NU, em 1980, que foi Prémio Nacional.

Como artista plástico destacou-se tanto na pintura como na escultura. Na área da escultura realce para a Santa Ana, em cantaria rija, na Câmara Municipal de Santana, 1959; o Padrão / monumento alusivo ao V centenário da morte do Infante D. Henrique (vulgo “Pau de Sabão”), escultura em cantaria rija, integrada no projecto do arquitecto Chorão Ramalho, Porto Santo, 1960; Baixos–relevos, 2 painéis em cerâmica policroma, alusivos á faina marítima e à actividade agrícola. Mercado Municipal de Santa Cruz. 1962.

Na área da pintura tornou-se conhecido desde a década de 40, pelas diversas temáticas abordadas e exploração de técnicas diferenciadas. Realizou várias exposições em Portugal (Galeria Divulgação, Quadrante, Galeria III, Galeria Diferença, Fundação Calouste Gubenkian – II Exposição de Pintura Portuguesa) e no estrangeiro – Espanha (Madrid, Sevilha, Barcelona); México, França (Paris); Itália (Roma e Turim) encontrando-se representado em colecções particulares e oficiais em vários países.

As últimas duas exposições individuais de António Aragão foram realizadas na Madeira, ambas comissariadas por António Rodrigues

A primeira, em Abril de 1996, na Casa da Cultura de Santa Cruz, integrou 16 dos últimos quadros concebidos pelo artista na sua galeria “Vala Comum”, em Lisboa, e uma selecção retrospectiva de 13 trabalhos, em diferentes técnicas, realizados nas décadas de 50 e 60 do Sáculo XX.

A segunda, Exposição Retrospectiva organização do Cine-Forum do Funchal, teve lugar na “Casa da Luz”, no Funchal.

António Aragão concretizou um projecto artístico contemporâneo baseado em novas tecnologias, numa casa que lhe pertenceu, situada à Rua do Meio à Lapa, 75-A r/c, em Lisboa. O projecto enquadrava uma “associação de educação popular” denominada “ARA-VALA COMUM”. Concessão do MECENATO pela Secretaria de Estado da Cultura.

ANTÓNIO JORGE PINTO
"in" Tribuna da Madeira
(Edição n.º 463, de 22/8 a 28/8)